Capitão Marvel (Captain Marvel/Shazam)

Criado com a missão específica de concorrer com o Super-Homem, o Capitão Marvel foi concebido em 1940 pelo quadrinista Charles Clarence Beck para a revista Whiz. Em uma época na qual a pior ofensa que um vilão fazia contra um herói era chamá-lo de “paspalhão”, o Capitão tornou-se sucesso rapidamente.

A revista do personagem – que no Brasil ganhou o apelido carinhoso de “capitão fraldinha” – chegou a vender, na década de 1940, 1,3 milhão de exemplares mensais. Logo foi transformado em série para a TV, com Tom Tyler interpretando o herói (no Brasil, a série foi exibida na década de 70).

Nas bancas, no entanto, Marvel foi obrigado a se aposentar por um longo período, de 1954 a 1973. O motivo foi uma acusação da DC Comics contra a Fawcett Editora (publicadora da revista Whiz), dizendo que o herói era uma cópia do Super-Homem.

Resolvida a questão legal, o Capitão foi vendido para Marvel (que tentou matar o herói em uma aventura e acabou descobrindo que ele tinha mais fãs do que aparentava) e, logo a seguir, para a própria DC.

Inicialmente a DC colocou o herói em participações especiais em outros gibis, nos quais ele continua a aparecer de quando em quando – a participação mais famosa até agora foi em O Reino do Amanhã (Kingdom Come, no traço de Alex Ross), na qual Marvel enfrenta o Super-Homem em uma violenta batalha e se consagra um grande herói.

Na década de 90, a DC criou a revista The Power of Shazam, dedicada especialmente ao personagem e que chegou a ser publicada no Brasil pela Abril Jovem a partir de 1996, por um curto período de tempo.

O Capitão também ganhou, em especial na década de 80, uma série de desenhos animados, até hoje exibidos em alguns canais pagos e velhas reprises. Em 2015, o autor de Bone, Jeff Smith, produziu uma bela minissérie do personagem: A Sociedade dos Montros.

Nos anos 2000, o personagem ganhou dois filmes, no estilo “ação-comédia para toda a família.” Um fato interessante é que, como no período do imbróglio entre DC e Fawcett, a Marvel registrou o nome “Captain Marvel” e o atribuiu para outros personagens – ele acabou se fixando na heroína cujo nome de batismo é Carol Danvers.

Assim, a DC não podia mais utilizar o nome nas capas de revista (por isso optava sempre por algo envolvendo apalavra “Shazam”) e no filme o problema foi dobrado: a Marvel acabara de lançar nos cinemas justamente o filme da Capitã Marvel e o nome em inglês é o mesmo. Desta forma não só o nome do filme do herói da DC – lançado em 2019 – foi “Shazam”, como de maneira inteligente o personagem passou o filme inteiro sem ter nome. 

Já no segundo filme, em 2023. a brincadeira foi estragada no final. 

 

Enredo: O menino Billy Batson é um órfão que ganha a vida vendendo jornais nas ruas de Fawcett City até ser transportado magicamente para a caverna de um velho mago que se identifica como Shazam.

O mago conta ao menino que seus pais eram arqueólogos que, em uma expedição financiada pelo “famoso doutor Silvana”, haviam descoberto a tumba do feiticeiro no Egito.

Antes que pudessem fazer contato com o mago, no entanto, os pais de Billy foram mortos pelo guia (a mando de Silvana) e Billy (que estava em casa de castigo por casa de notas ruins) virou órfão.

A irmã do garoto, Mary, estava com os pais, mas havia sido dada como desaparecida. Disposto a ajudar o menino a corrigir as injustiças contra ele e a combater o crime, o feiticeiro concede a ele poderes fantásticos vindos de deuses mitológicos e figuras bíblicas, que incluem voar, ter super-força e invulnerabilidade (para não mencionar que o garoto fica beeeem mais velho quando se transforma).

Para se tornar Capitão Marvel, basta que o menino diga o nome do mago e um raio cruzará os céus e, ao acertá-lo, dará a ele todos os poderes.

Personagens

Além do Capitão e de seu alter ego Billy Batson (que depois deixaria de ser jornaleiro para se tornar jornalista do rádio) completam o lado dos mocinhos o restante da família Marvel – parentes e amigos de Billy que também se ganham super-poderes ao dizerem Shazam (quando isso ocorre, porém, o poder do Capitão é reduzido).

Fazem parte da família: Mary, a irmã que é reencontrada e se transforma em Mary Marvel; Capitão Marvel Jr. (um amigo de Billy e Mary que é deficiente físico e ao se transformar usa uniforme azul em vez do tradicional vermelho); o tio Doodles e o tigre de pelúcia falante Tawny. O mago Shazam, com seus milhares de anos, ajuda todos eles.

No lado dos bandidos, os principais são o careca, míope e maquiavélico Doutor Silvana, que no Brasil ficou tão famoso que virou até nome de banda nos anos 80. Importante notar, porém, que o nome original do vilão é Dr. Sivana, sem a letra l.

Completam o time do mal o verme (literalmente) superinteligente conhecido como Mr. Mind; e o Adão Negro, na verdade o guia que matou os pais de Batson e que, ao encontrar um artefato mágico e se vê transformado em uma espécie de Capitão Marvel reverso, que usa uniforme preto – e que também ganhou filme em 2022.

 

Curiosidade: S de Salomão… 

Houve uma época em que perguntar o que queria dizer Shazam fazia parte de todos os jogos de trívia, mas hoje poucos se lembram do significado da palavra. Ela é formada pelas iniciais de figuras mitológicas – e uma bíblica – das quais o Capitão adquire seus poderes. Da seguinte forma:

a sabedoria de Salomão,

a força de Hércules,

a resistência de Atlas,

o poder de Zeus,

a coragem de Aquiles

e a velocidade de Mercúrio.

Misture tudo e… Shazam!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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