Superman x Homem-Aranha: primeiro crossover Marvel x DC da história completa 50 anos e ganha edição especial…e gigante

Ao longo das últimas décadas, crossovers se tornaram mais do que comuns nos quadrinhos de Super-Heróis, tanto os ocorridos entre DC e Marvel – no ano de 1996 houve até uma minissérie onde praticamente todos os heróis relevantes de ambas as editoras se encontraram e brigaram entre si – quanto aqueles entre outras editoras e universos midiáticos.

Basta lembrar que por pelo menos duas vezes os heróis da DC se encontraram com Pernalonga e companhia, e até com a Turma da Mônica nas versões clássica e Jovem. O time Marvel não fica atrás, com encontros que chegam a ser bizarros, como Homem-Aranha e (os personagens de desenho animado) Ren and Stimpy, e o Justiceiro frequentando o universo de Archie.

Mas houve um tempo em que as linhas – ou melhor, as editoras – não se cruzavam. Até que em 1976 ocorreu uma joint venture inédita entre as duas maiores  casas de super-heróis e o resultado foi um encontro entre os dois maiores ícones de cada uma: Superman vs the Amazing Spider-Man: The Battle of the Century. Para comemorar o meio século deste verdadeiro marco das HQs, a Panini está lançando no Brasil Superman Vs Homem-Aranha – Edição Comemorativa 50 Anos.

Em edição especial em formato gigante (27,4 x 35,5 cm), 96 páginas e capa cartão, a HQ – que tem arte de Ross Andru e roteiro de Gerry Conway – já está em pré-venda no site da editora, por R$ 44,90. A previsão de chegada nas residências de quem comprar (bem como em livrarias, bancas e lojas especializadas) é para a segunda quinzena de abril.

Todos no mesmo universo

Diferentemente da maioria dos crossovers que se seguiram depois, nos quais os encontros acontecem em virtude de portais interdimensionais, magia ou algo que o valha, na aventura de Superman vs Homem-Aranha os dois personagens habitam o mesmo mundo, apenas nunca tinham se encontrado até então. Na HQ, que teve edição dos então figurões Stan Lee e Carmine Infantino. Metrópolis e Manhatan nem são tão longe assim uma da outra.

Antes que os heróis se encontrem, porém, há três prólogos que introduzem os leitores aos universos de cada um deles (afinal, não havia como saber na época se quem lia Superman fazia o mesmo com Spider-Man e vice-versa). No inicial, o Homem-de-Aço enfrenta Lex Luthor em Metrópolis, em dois atos: no primeiro é superado pelo inescrupuloso vilão e, no segundo, o manda para a cadeia.

Os leitores também se deparam aqui com Lois Lane e companheiros de redação de Clark Kent, vêm como o repórter é vítima de bullying de um colega (dos quais se safa usando secretamente os superpoderes) e têm uma visão geral do mundinho do Super-Homem.

Antes de seguir para o segundo prólogo, inclusive, há uma página de apresentação do herói (uma “pausa para identificação”) mostrando a origem dele e os principais poderes. Afinal, ninguém era obrigado a conhecer o Superman, certo?

O segundo prólogo é praticamente um espelho marveliano do primeiro: Peter Parker enfrenta o dr. Octopus em dois atos, perdendo no primeiro e prevalecendo no segundo, o que resulta no envio do bandido ara atrás das grades.

O leitor conhece o autoritarismo e falta de educação de JJ Jameson, vê todo o apoio e amor de Mary Jane pelo fotojornalista Peter e tem uma ideia de como funciona o mundinho dele. Quer adivinhar? Nova pausa para apresentar a qualquer desavisado a origem e poderes do amigão da vizinhança.

Hora do prólogo 3, no qual Octopus e Lex Luthor são enviados para a mesma cadeia e decidem unir forças para fugir. E, na sequência, para continuar praticando atos criminosos e vinganças pessoais. E sim, você adivinhou, ao fim do terceiro prólogo há uma página apresentando as origens e poderes da dupla maligna.

Depois de tudo isso é que começa a história do encontro em si. Peter e Clark Kent (acompanhados por MJ e Lois Lane) são mandados pelos chefes para uma cobertura de um mesmo evento em Metrópolis. Ante de irem, os dois são humilhados pelos chefes (no caso do Superman, nesta época ele respondia a Morgan Edge).

Porém, aqui surge uma diferençazinha: Peter peita JJ, enquanto Clark, sempre optando pela discrição para não chamar atenção à própria identidade secreta, abaixa a cabeça e segue em frente.

A dinâmica do encontro é um pouco diferente: Clark se desentende com Lois, que sai sozinha e quase cai de uma plataforma, mas é salva por Peter Parker. MJ logo se une aos dois e mostra ter ciúmes da jornalista do Planeta Diário. E aí, do nada, Superman aparece e sequestra as duas moças- para a surpresa do cabeça-de-teia e de (!) Kent, que viu tudo acontecer sem tempo de reagir.

O que acontece então é algo que viria a se tornar uma fórmula repetitiva nos crossovers que se seguiram a este primeiro. Os heróis se estranham e lutam entre si até que as coisas são esclarecidas. Aí eles se unem contra os vilões, os derrotam e viram amigos para sempre em um final feliz…

Aranha batendo no Super?

A maior estranheza dos leitores é ver o Homem-Aranha batendo no Homem-de-Aço. Ok, o aracnídeo tem uma grande força, mas que nem deveria fazer cócegas no superpoderoso Superman.

Diferentemente do que ocorreu quando Wolverine insolitamente venceu Lobo na já citada DC vs Marvel/Marvel vs DC , de 1996, a HQ fornece uma explicação para que o Aranha consiga desferir socos potentes no kryptoniano. Octopus e Lex, que observavam a luta escondidos, aumentam exponencialmente a força do amigão da vizinhança usando raios radioativos de um sol vermelho.

Ainda assim, o Superman não sente tanto as pancadas e quando se enfeza por pouco não desfere um soco mortal no futuro amigo. Ele para a centímetros do rosto do Aranha e a movimentação do ar gerado pelo golpe (mais forte que um furacão) arremessa o oponente para longe. O aracnídeo ainda tenta se vingar, mas neste exato momento passa o efeito do raio e ele quebra as mãos socando o Homem-de-Aço, em uma cena feita para fazer rir.

Os dois então se unem e, incrivelmente, a história ainda está longe de acabar. Eles seguem os vilões até a África, onde enfrentam um guerreiro local superpoderoso (cortesia dos raios de Lex Luthor). Um detalhe pitoresco é a viagem com Superman puxando o Aranha por uma teia: só que ele não está pendurado e sim usando aquelas ridículas asinhas de teia embaixo dos braços – cortesia dos roteiristas da época – e, pasme, esquis feitos de teia!

Depois os dois super-heróis vão parar em um satélite no espaço para salvar as parceiras sequestradas. Não sem antes de Lex provocar terríveis intempéries para destruir a Terra e o Super ter que se dedicar a salvar o planeta enquanto o cabeça-de-teia luta sozinho contra os poderosos bandidos.

Isso posto o fim é óbvio – para os dias de hoje, claro, afinal aquela era a primeira vez que acontecia um crossover. Tudo fica bem, os vilões são presos, Clark e Peter são reconhecidos por seus respectivos chefes pelo excelente trabalho jornalístico cobrindo o confronto e os dois casais de (agora) amigos até saem juntos na noite no final da aventura.

Hoje a HQ parece um pouco simples demais – ainda que a aventura seja mais longa que as do padrão moderno – e até com um argumento um pouco batido. Contudo, na época ela foi descrita pelo público e pela mídia especializada com palavras como “monumental”, “evento histórico” e “um sonho que se transformou em realidade para os fãs.”

Sem dúvida alguma, Superman vs the Amazing Spider-Man: The Battle of the Century merece respeito e um lugar na estante (inclusive como item de colecionador, como sugere a Panini). Afinal, foi ela que pavimentou a estrada de sucesso – comercial e de público – trilhada pelos crossovers até hoje, meio século depois.

Em tempo, os encontros mais recentes entre Marvel e DC foram publicados no ano passado, liderados pelos personagens Batman e Deadpool.

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

1 comentário

  • Eu tenho aqui a de 1977, essa mesma…pela magnifica EBAL…Para comemorar os 50 anos dela a DC fez algo pavoroso com arte de…Jorge Gimenez, algo que passa longe, mas MUITO longe da arte do grande Ross Andru ( basta ver só a capa dessa edicão de 1977, maravilhosa, em comparacao com a medíocre de Jorge Gimenez ( fora as páginas dele ). Passo longe, bem longe dessa edicao da comemoracão dos 50 anos desse encontro. Com alguns bons artistas, a DC opta por um com estilo mais do mesmo…

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