No ano de 2025 foi ao ar Chespirito: Sem Querer Querendo, série sobre a vida do escritor e ator Roberto Bolaños, e os dois mais conhecidos produtos do astro mexicano – Chaves e Chapolin Colorado – reapareceram praticamente de maneira simultânea em diversos canais de streaming (Globoplay, Primevideo, HBO e +SBT), TV aberta (SBT e afiliadas) e a cabo (Multishow).
Os personagens de Chesperito, apelido pelo qual Bolaños era mais conhecido, voltaram a invadir o Brasil. Assim, ainda que tenha sido de surpresa, não dá para afirmar que o anúncio feito pela Comix Zone nesse começo de 2026 seja de todo inesperado: os quadrinhos de Chapolin estão voltando!

A data de lançamento ainda não foi confirmada pela editora, mas tudo aponta para o segundo semestre do ano. E, a exemplo do que a Comix fez com A Turma do Arrepio, quadrinhos infanto-juvenis de terrir de César Sandoval lançados originalmente nos anos de 1980 e 1990, a ideia é publicar uma coletânea caprichada, reunindo as melhores HQs lançadas no Brasil.

No caso da turminha formada pelo vampiro Draky, a múmia Tuty, o monstro Stein, a bruxa Medeia, o lobisomem Luby e o morcego Belfedo, a editora publicou uma edição capa dura, com mais de 300 páginas e diversos extras. Não se espera nada menos que isso para a (já corretamente chamada de) edição histórica do Chapolin.
Vale aqui relembrar que as histórias do Polegar Vermelho, como também é chamado o atrapalhado herói em terras tupiniquins, foram publicadas aqui inicialmente nos anos de 1990 pela Editora Globo em dois títulos distintos. A revista Chaves & Chapolim (grafado assim mesmo, com “m”) circulou de 1990 a 1993, chegando a 32 edições, tendo Chaves como protagonista da maior parte das histórias do gibi e Chapolin aparecendo nas restantes.

Já em Chapolim & Chaves (15 edições lançadas entre 1991 e 1992) ocorria o inverso: o herói de uniforme vermelho era o astro da maioria das HQs, enquanto o menino que mora em um barril e sua turminha aparecia na minoria delas.

Editor e cofundador da Comix Zone, Thiago Ferreira já adiantou que as HQs selecionadas já estão em processo de restauração de imagens e colorização. Ele também confirmou, para a alegria dos fãs da Turma do Chaves, que uma das histórias da coletânea será um crossover entre o pessoal da vila e o herói das anteninhas de vinil.

E, dependendo do sucesso da edição histórica do Chapolin, não está descartada uma futura publicação com as melhores HQs do Chavinho…isso, isso, isso.
Importante registrar que tanto as HQs de Chapolin quanto as de Chaves dos anos de 1990 eram produzidas aqui mesmo no Brasil, sob encomenda da editora Globo. No caso do polegar vermelho, elas sempre ficaram sob o comando de Eduardo Vetillo, do estúdio Inart. Já as do Chaves foram inicialmente produzidas pelo Inart e, depois, passaram para as mãos do estúdio Tango, sob coordenação do argentino radicado brasileiro Sérgio Morettini.

Seguindo uma linha de humor leve (que não à toa lembrava as HQs dos Trapalhões, das quais Vetillo também participou), tanto os quadrinhos de Chapolin quanto de Chaves tinham diversas referências as séries que deram origem a eles. Algo até hoje não explicado publicamente, porém, foi a opção de colorir os cabelos do protagonistas de marrom em vez do preto original das madeixas de Roberto Bolaños. Quem sabe os extras da edição histórica expliquem isso…
El Chapulín Colorado
Criado por Roberto Bolaños no início dos anos de 1970 para a TV mexicana, o Chapolin Colorado (Chapulín Colorado, literalmente “gafanhoto vermelho”) é uma sátira em contraponto aos super-heróis tradicionais estadunidenses. Apesar de ser descrito com habilidades pouco vantajosas – “mais veloz que uma tartaruga, mais valente que um rato” e por aí afora – ele tem poderes e equipamentos impressionantes.

Entre os primeiros estão, entre outros, superforça, deslocamento instantâneo/teletransporte, supervelocidade, resistência e até manipulação do tempo. Ah, e não nos esqueçamos da capacidade de aparecer instantaneamente em qualquer lugar que alguém em perigo diga “E agora, quem poderá me defender?”

Já os gadgets incluem a marreta biônica (que parece um martelinho daqueles de pular carnaval exagerado, mas está mais pra irmão mais novo do Mjolmir do poderoso Thor), as pílulas de polegarina (capazes de deixa-lo minúsculo), as anteninhas de vinil (que alertam sobre a presença de inimigos e traduzem outras línguas) e a corneta paralisadora (o nome é autoexplicativo).

Tudo isso faria dele um super-herói praticamente imbatível, contudo Chapolin é extremamente atrapalhado, azarado, intelectualmente limitado e sempre enfia os pés pelas mãos (em alguns casos, literalmente). “Heroísmo não consiste em não sentir medo, e sim em superá-lo. Batman e Superman não têm medo, eles são poderosos, não podem ter medo. Chapolin morre de medo, é burro, tonto, etc. E consciente de suas deficiências, ele enfrenta o problema. Isso é um herói. E perde! Outra característica dos heróis, eles perdem muitas vezes. Depois suas ideias triunfam”, defendia Bolaños.
Com isso, o Chapolin – e também as pessoas que tenta salvar – acaba passando por poucas e boas antes de derrotar o malfeitor da vez. Por sinal, a galeria de vilões do herói mexicano não deve nada a de Batman, Flash, Homem-Aranha e outros. Nela se encontram, por exemplo, Alma Negra, Matadouro, Tripa Seca, Quase Nada, Mata Fácil, Bruxa Baratuxa, Mão Negra e Rosa, a Rumorosa.

Também não faltam ao Vermelhinho bordões marcantes. Os mais lembrados e queridos são: “Sigam-me os bons”, “Não contavam com minha astúcia”, “Todos os meus movimentos são friamente calculados”, “Suspeitei desde o princípio”, “Aproveitam-se de minha nobreza” e “Palma, palma, não priemos cânico.”
Para terminar, vale lembrar algumas curiosidades sobre o uniforme do personagem. Apesar de ter pensado desde o início em fazer o herói baseado no inseto – o Chapulín (palavra de origem asteca) é um tipo de gafanhoto/grilo – a cor verde teve de ser descartada porque impediria o uso do recurso chroma key em efeitos especiais. Trata-se de uma tela verde usada de fundo para se filmar cenas, na qual posteriormente é possível incluir qualquer cenário. Assim, a cor do uniforme “sumiria” quando se utilizasse o chroma.

O azul também daria o mesmo problema, e Bolaños achava que cores como preto ou branco não ficariam bem para cobrir a maior arte do uniforme, por razões diversas. A opção para a roupa (que, vale lembrar, foi inicialmente costurada a mão pela então esposa do ator, Graciela Fernández) foi o vermelho.
Mas como justificar a escolha, se que isso é necessário? Ocorre que os chapulíns são comestíveis e uma das iguarias apreciadas no México são justamente esse insetos preparados com molho de pimenta vermelha. O nome do prato é, claro, Chapúlin Colorado!

Problema resolvido, o uniforme ainda foi completado com shorts amarelo e um coração da mesma cor no peito, lembrando a característica do herói de ter/agir com bom coração e tendo no meio as letras CH. Por sinal, elas não só iniciam o nome do CHapolin como também dos principais personagens de Bolaños – CHaves (CHavo), Doutor CHapatin, CHómpiras, CHaparrón Bonaparte – e o apelido dele, CHesperito.




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