Em 1940, um desenhista estadunidense de 17 anos chamado Jerry Robinson criou um personagem juvenil, batizado como Robin, para fazer companhia ao super-herói Batman. O Homem-Morcego já era publicado desde 1939, em histórias detetivescas nas quais combatia bandidos, e ter a seu lado um parceiro mirim em roupas coloridas não só suavizava um pouco a imagem do vigilante como atraía para a revista leitores mais jovens, que podiam se identificar e se projetar no personagem.
Muitos chegaram a pensar (e a espalhar a lenda de) que o nome do menino-prodígio era uma espécie de auto-homenagem de Jerry ROBINson, uma forma de ele “assinar” discretamente a criação que saía em páginas que levavam o nome do autor de Batman, Bob Kane. O próprio desenhista, porém, desmentiu a história em entrevista exclusiva dada ao MundoHQ em novembro de 2000, na qual esclareceu de onde veio a inspiração para o nome e as roupas do garoto.

“Robin ganhou seu nome por causa de Robin Hood. Isso porque eu era fã deste herói arqueiro quando jovem e inspirei as roupas do personagem em desenhos que o ilustrador M.C. Wyatt havia feito para o livro de Robin Hood que li na minha infância. Então a história de eu ter dado meu nome é boa e engraçada, mas não é verdadeira”, contou Jerry Robinson, que faleceu em 2011, aos 89 anos, e que também foi o criador do vilão Coringa.
Com nome de batismo de Dick Grayson, o Robin criado em 1940 decidiu mudar de nome e uniforme de super-herói nos anos de 1980, quando (na HQ) tinha 19 anos e não se identificava mais como um “menino prodígio” (boy wonder, em inglês). Assim ele se tornou Asa Noturna e, em vez de ser uma pessoa, Robin passou a ser um “cargo” de assistente do Batman, que chegou a ser ocupado por outros três garotos – Jason Todd, Tim Drake e Damian Wayne – e até por duas meninas.
Uma delas, Stephanie Brown, no universo canônico da DC Comics, e outra – Carrie Kelley, em uma história que ocorre “em um futuro distante” no clássico O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Vale ressaltar que Robin já migrou das HQs para as telas diversas vezes, tanto em inúmeros desenhos animados quanto em live actions. Nestes últimos a predominância é de Dick Grayson e o mais icônico deles provavelmente foi o interpretado por Burt Ward na série televisiva Batman, de 1966 a 1968. Dick também ganhou vida em filmes como em Batman Forever (1995) e Batman & Robin (1997), nos quais foi interpretado por Chris O´Donnell; e em The Dark Knight Rises (2012), com o ator Joseph Gordon-Levitt no papel.
Já na série para streaming Titans, Brenton Thwaites deu vida a Dick Grayson, que aparece rimeiro como Robin e depois como Asa Noturna; Curan Walters fez um insuportável Jason Todd; e Jay Licurgo interpretou Tim Drake.

Enredo
Todos os que já vestiram o uniforme de Robin atuam como parceiros mirins de Batman, lutando tanto ao lado dele como constantemente em aventuras solo. Em comum, são crianças/jovens extremamente inteligentes, bons de luta e entendem de tecnologia, sendo que cada um é melhor em uma ou outra destas áreas. Confira a seguir as origens dos Robins.
O primeiro Robin (de 1940 a 1983) é um garoto chamado Dick Grayson, filho de um casal de trapezistas (os Grayson voadores). Ele acabou adotado por Bruce Wayne depois que os pais foram vítimas fatais de uma armação do crime organizado. O milionário assume a guarda do órfão, no qual vê refletida a própria história de ter perdido os pais para o crime, e acaba revelando ao garoto a identidade secreta.

Batman então treina Dick, que já é bastante ágil e atlético por ser um trapezista, e os dois acabam se tornando uma dupla de vigilantes combatendo o crime em Gotham City. Quando se torna um jovem adulto, Grayson vai para a faculdade posteriormente se une ao grupo dos Jovens Titãs, que acaba liderando.
Futuramente, ele assume uma nova identidade heroica, como Asa Noturna (Nightwing) e atua em boa parte do tempo como guardião da cidade de Blüdhaven, vizinha a Gotham City. Por um curto período, após os eventos da série Crise Final (2008/2009), Dick Grayson assumiu o manto do Batman quando Bruce Wayne foi dado como morto, mas voltou a ser Asa Noturna após o reaparecimento do “titular”.
Dick já namorou a alienígena Estelar quando estava nos Novos Titãs e vive um relacionamento cheio de idas e vindas com Barbara Gordon, a Batgirl original.

O segundo Robin (1983 a 1988), Jason Todd, era um menino de rua revoltado que Batman surpreendeu roubando as calotas do Batmóvel. Instável e com uma tendência enorme a sempre desobedecer ordens, ele segue sozinho e contra as orientações do Homem-Morcego uma pista para encontrar a mãe que estava desaparecida (e que havia se associado ao Coringa).

Jason acaba sendo morto violentamente pelo psicopata, que o espanca com um pé de cabra, em uma história marcante (Morte em Família). Um detalhe interessante é que a decisão de matar o personagem foi tomada em uma pesquisa que a DC fez por telefone.
E que, diz a lenda, foi manipulada por um hater do personagem (havia muitos que se encaixavam nessa categoria) que conseguiu gerar sozinho centenas de ligações para a opção de matar Robin.

Independentemente disso, Jason Todd seria ressuscitado posteriormente, em 2005, e se tornaria o Capuz Vermelho, um justiceiro violento e dado a usar força letal contra os vilões.

O terceiro Robin (1989/2009) foi Tim Drake, filho de um vizinho de Bruce Wayne que, posteriormente seria morto pelo capitão Bumerangue. Tim era fã de Batman e Robin e, usando as exímias habilidades como hacker, descobriu a identidade do Homem-Morcego após a morte de Jason Todd. Ele vai até a Batcaverna, se apresenta a um relutante Homem-Morcego, para quem acaba provando ser digno de vestir o uniforme de Robin.

Diferentemente do antecessor, Drake é extremamente obediente, além de um detetive habilidoso. Outra diferença do personagem é que ele (que é considerado por muitos o mais insosso dos Robins) também tem mais aventuras solo que os anteriores.
Tim deixa o cargo temporariamente quando o pai dele descobre que ele estava atuando como super-herói e é substituído por um interesse amoroso dele mesmo, Stephanie Brown, e acaba abandonando o manto em definitivo quando Dick Grayson, na época ocupando temporariamente o manto de Batman, escolhe Damian Wayne para ser o garoto-prodígio titular.
Ele então assume o codinome de Robin Vermelho (Red Robin), usando um uniforme parecido, porém com detalhes diferentes que incluem uma máscara estilizada e às vezes vermelha (ou eventual capuz preto), e eventualmente um símbolo de pássaro no peito.

Stephanie Brown atuou como Robin por apenas quatro meses, em 2004. A personagem foi criada bem antes, em 1992, como filha de um inimigo do Batman, o Mestre das Pistas. Porém, diferentemente do pai, ela começou a agir como uma vigilante de Gotham City, com o nome de Salteadora. Stephanie namorou Tim Drake por um período, sem saber que ele era o Robin (o que acabou sendo revelado a ela pelo Homem-Morcego).
Quando Drake deixou o cargo temporariamente por uma imposição do pai dele, ela – que já vinha treinando com o Batman – assumiu o posto, mas logo se desentendeu com o herói por desobedecê-lo.

Tentando mostrar o próprio valor, Stephanie começou a combater a máfia de Gotham, foi capturada e torturada pelo Máscara Negra e acabou morrendo. Anos depois, em 2008, foi revelado que a morte havia sido simulada para protegê-la e que ela estava viva. De volta às HQs, Stephanie se tornou a Batgirl em 2009 e, em 2014, voltou a ser a Salteadora (Spoiler).

O quinto Robin (ou quarto para muita gente, que não considera Stephanie Brown pela passagem com a máscara ter sido muito curta) assumiu a alcunha de menino-prodígio em 2009 e permanece como tal até hoje. Trata-se de Damian Wayne, filho de Bruce Wayne e de Talia Al Gul. O personagem foi concebido (o trocadilho é intencional) em uma Graphic Novel de 1987, Batman: filho do demônio.

Nesta história, Talia – que é amante de Batman e filha de um dos maiores inimigos dele, o genocida Ras Al Ghul – engravida de Wayne e tem um filho sem que ele saiba. A HQ não fazia parte dos quadrinhos regulares da DC e o escritor Mike W. Barr e o desenhista Jerry Bingham sequer deram nome ao recém-nascido, que permaneceu “esquecido” até 2006, quando foi (re)introduzido nas HQs por Grant Morrison.

Damian aparece na HQ como um menino de dez anos, que foi treinado pela Liga dos Assassinos e que odeia o pai. Batman, que se quer sabia que tinha um filho, se vê no papel de pai relutante e ainda tendo que ensinar preceitos básicos de ética para o garoto, que é – afinal e contas – uma assassino treinado que acha que a violência é solução para tudo, e que matar é natural e aceitável.
A tônica entre os dois personagens rende HQs interessantíssimas, nas quais aos poucos o menino vai se aproximando do pai e questionando as convicções que foram incutidas nele. Desde o começo, Damian é um lutador extremamente letal (mais do que todos os Robins anteriores), inteligente. destemido e arrogante. É também uma criança e, como tal, bastante imaturo.

Apesar de aparecer nas HQs regulares em 2006, ele só se torna oficialmente o Robin em 2009, quando Bruce Wayne está aparentemente morto e Dick Grayson, substituindo o Homem-Morcego, define que o menino é o mais adequado para ser o garoto-prodígio. Com a volta de Bruce, Damian permanece como parceiro mirim (aliás, com de anos, é o mais jovem Robin).
O personagem passa por alguns momentos marcantes nos gibis, entre os quais o de ter derrotado os demais Robins em confronto, para “se provar” o melhor deles, e o de ter morrido e ser ressuscitado por uma decisão “escolha de Sofia” de Bruce Wayne: ele teve que escolher entre trazer de volta a vida o filho ou os próprios pais, Martha e Thomas Wayne.

Damian também passou a ser suavizado com o passar dos anos, tornando-se um personagem menos assassino e mais atraente para crianças. O atual Robin passou a ter mais aventuras solo e, em 2011, encontrou um Morcego-Dragão, que batizou de Golias, e viveu aventuras mais fantasiosas ao lado da garota Maya Ducard. Neste período, o garoto já aparecia um pouco mais velho, tendo entre 11 e 12 anos.
Já a partir de 2017, Damian Robin passou a ter 13 anos e se tornou integrante/candidato a líder dos Novos Titãs, além de ter passado a viver aventuras juvenis ao lado de Jon Kent, o filho do Superman, nas revistas dos Super Filhos (Super Sons).

Vale aqui um parêntese: ainda há quem se surpreenda pelo fato de Bruce Wayne ter um filho, apesar de ele ter sido introduzido nas histórias há praticamente duas décadas. Damian Wayne, porém, não é o único herdeiro de Bruce: na década de 1950, Batman teve uma filha com a Mulher-Gato, batizada como Helena Wayne. A menina cresceu e após o assassinato da mãe assumiu o nome de Caçadora. Estas histórias acabaram sendo situadas como tendo ocorrido em uma “terra paralela” e a personagem foi descontinuada em 1986, com o evento Crise nas Infinitas Terras.
Carrie Kelley, a Robin do Futuro – Apesar de ter sido criada em 1986, o que faria dela a terceira Robin na ordem cronológica, Carrie surgiu na ótima série O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight Returns).

Na Graphic Novel, Bruce Wayne havia abandonado o traje de Batman há décadas, em especial em virtude da morte de Jason Todd. Bem mais velho e em uma cidade dominada pelo crime, ele acaba retomando a função. Carrie, inicialmente uma estudante que é salva por Bruce quando ia ser atacada na rua junto com uma amiga, decide se tornar a nova Robin.
Extremamente inteligente, em especial quando se trata de tecnologia, ela acaba se tornando fundamental como parceira do Homem-Morcego. Nas continuações lançadas por Miller anos depois, ela voltaria a aparecer, porém se vestindo como Mulher (ou Moça)-Gato, e ainda como Batgirl no infeliz spinoff Criança Dourada.

Principais personagens
Independentemente de qual Robin estivermos falando, os principais personagens são os mesmos do universo Batman, sejam eles outros heróis, vilões ou civis. Existem, porém, personagens que ganham destaque ou só aparecem em HQs solos de cada um deles. Entre estes estão:
Titãs – Em versões e com configurações diferentes, nas quais o nome do grupo pode ser precedido por um “jovens”, “novos” ou outra palavra, eles já atuaram com todos os Robins. Destaques para Aqualad, Kid Flash, Moça-Maravilha, Ciborgue, Mutano, Estelar e Zatana.

Jason Todd, como Capuz Vermelho, teve equipes – os Outlaws – pelas quais já passaram Estelar e Arsenal, a amazona Artemis e um clone “Bizarro” do Superman.

Tim Drake já teve diversos colegas de escola, entre os quais a ex-namorada Ariana e o filho de um líder religioso do oriente, Ali Ben Khadir. Ele também já integrou o grupo Justiça Jovem, que tinha entre os integrantes Superboy (o clone, da época da morte e ressureição do Superman), Impulso, Tornado Vermelho e outros. Drake também chegou a lutar ao lado de Cassandra “Moça-Maravilha” Sandsmark, por quem teve uma paixonite.

Damian Wayne, o filho de Bruce, tem diversos animais de estimação. Além do morcego dragão Golias, tem um cachorro chamado Titus, um gato que nomeou com o sobrenome do mordomo Alfred (Pennyworth) e até uma batvaca.

Nas histórias dos Super Filhos também aparecem duas amigas de escola dele e de Jon Kent, Candace e Tilly. Detalhe: nestas HQs o personagem costuma ser chamado como “Ian” Wayne.

Curiosidade: de falso gay a bi assumido
Por muitos anos o mundo dos quadrinhos conviveu com afirmações, insinuações e brincadeiras (algumas de gosto duvidoso) sobre uma suposta homossexualidade do primeiro Robin, Dick Grayson. Os próprios quadrinistas chegavam a fazer piadas dentro dos quadrinhos com a situação.
Alan Moore, em Piada Mortal, por exemplo, cria uma cena em que o Coringa passa a mão na, digamos, bat-região glútea, e ao ser admoestado por Batman, pergunta se “tocou num pnto sensível” e se o menino-prodígio já começou a depilar as pernas…

A origem da suposta homossexualidade, porém, tem raízes bastante sérias. Ela data dos anos de 1950, quando um psicólogo chamado Frederick Wertham lançou nos Estados Unidos o livro A Sedução do Inocente. Na obra, ele afirmava que a leitura de quadrinhos causava comportamentos criminosos e anormais – e, sim, a homofobia vigente na época classificava a homossexualidade dentro deste último. Batman e Robin, afirmava, eram um casal gay.
Graças às afirmações de Wertham, muitos quadrinhos foram até queimados e a censura se estabeleceu sobre os gibis estadunidenses, na forma de um “Código de Ética.” Robin, por sua vez, passou a viver mais aventuras solo até finalmente deixar a Batcaverna e seguir para a faculdade.

Em 2021, porém, a DC Comics decidiu que outro Robin, Tim Drake, seria bissexual. Um dos mais apagados personagens a vestir o uniforme do menino-prodígio, Drake nunca havia – até então – demonstrado interesse por meninos.
Pelo contrário, já havia tido pelo menos duas namoradas, a “civil” Ariana Dzerchenko, e a vigilante Stephanie Brown, quando ela atuava como a Salteadora.

Porém, em uma HQ publicada em agosto de 2021 nos EUA, ele se interessa romanticamente por um rapaz chamado Bernard Dowd e passa a namorar com ele. Oficialmente, Robin (o terceiro), passou a ser bissexual.





Apesar de adorar o Grayson como Robin e – posteriormente – como Asa Noturna, infelizmente o retorno do Jason Todd para mim deixa ele como o Robin Definitivo.
Pra mim, o capuz vermelho é um BATMAN 2.0…pronto, falei…to leve!