Consta que o primeiro anjo que se revoltou com Deus passou a reinar no inferno. Felizmente, em Anjinho: Além (32º título do selo Graphic MSP) o personagem título recebeu uma punição mais amena… ou não? Foi exilado na Terra.
A história é boa, ainda que a proposta não seja nova, nem mesmo nas histórias do próprio Mauricio de Sousa. Afinal, quando Anjinho apareceu nas tiras do Cebolinha pela primeira vez, em 1964, ele tinha justamente perdido a auréola e fora mandado pelo Criador para o bairro do Limoeiro por ser muito “arteiro”.

A aventura proposta pelo quadrinista Max Andrade para o anjo da Turma da Mônica não deixa de ser, portanto, uma volta às origens. E, acima disso, é uma história que vale a pena ser lida e digna de “abrir a temporada” deste décimo ano do selo em que autores diversos são convidados para contar as próprias histórias com o personagem de Maurício que quiserem.
Aliás, vale o parêntese: além de Anjinho, estão previstas para serem lançados este ano graphic novels de Denise (Arraso, por Cora Ottoni), Mingau (de Ana Cardoso), Astronauta (a última parte da odisseia de Danilo Beyruth), Franjinha (Contato, de Vitor Cafaggi) e Magali (Tempero, de Lu Cafaggi).

De volta a aventura atual, tudo começa ainda no céu, com Anjinho indignado com, digamos, as linhas tortas pelas quais Deus escreve. Revoltado em virtude de uma situação que vai ser revelada mais pro final da aventura, o pequeno anjo acha que o Criador “não está nem aí pra nada” e acaba sendo mandado por Ele pra a Terra, onde terá uma missão a cumprir.

Para isso, ele irá frequentar a escola do Bairro do Limoeiro, onde está ocorrendo uma gincana diferente da qual não só ele participará, tendo Humberto como parceiro, como fará de tudo para vencer. Afinal, na cabeça do personagem, as provas são a missão que ele precisa cumprir a todo custo.
O que, obviamente, desde o início os leitores já suspeitam não ser verdade. Até porque o autor da missão, como já foi dito, escreve certo por linhas tortas e “Ângelo” (esse é o nome “mortal” que o personagem ganha) precisa aprender justamente isso.

A HQ já prende o leitor desde o início pelo traço “mangá fofinho” de Max Andrade, mas os desenhos são apenas parte da atração. O roteiro é muito bem desenvolvido, com as já tradicionais participações especiais de outros personagens – Rolo e Nico Demo, por exemplo – e da própria turminha.

Diga-se de passagem, Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão demoram um pouco a aparecer (pelo menos de maneira explícita, vale procurá-los nas imagens antes disso) e não simpatizam nenhum pouco com o Anjinho em um primeiro momento. Não é para menos, afinal, Anjinho realmente ainda tem muito a aprender, inclusive em termos de empatia.

Max Andrade também coloca na HQ algumas referências pessoais, que são esclarecidas nos tradicionais extras. Entre elas o fato de que a motivação para a revolta inicial de Anjinho é uma homenagem para um primo, Cassiano, que morreu ainda criança.

Resumindo, Anjinho: Além tem todos os elementos que consagraram o selo Graphic MSP: ver os personagens tradicionais em um traço diferente (e belo), história que mistura elementos inéditos com toques de uma certa nostalgia, surpresas, final feliz e aquele gostinho de quero mais quando a HQ termina.
A história (+extras) tem 100 páginas e, como sempre, a Panini Editora lançou duas versões da edição, uma em capa cartão (R$ 39,90) e outra em capa dura, por R$ 59,90.

Clique aqui para conferir todas as Graphic MSP lançadas até agora




Comentar