Aos 74 anos de idade, a cartunista Laerte Coutinho continua no auge, como bem sabem os quase um milhão de seguidores que acompanham o humor pespicaz da autora nos posts dos perfis oficiais de Instagram dela (laerteminotaura e laertegenial). Não à toa, Laerte foi escolhida pela terceira vez consecutiva para receber o Troféu Angelo Agostini de melhor Desenhista de Humor Gráfico – que passou a receber esse nome nesta 41ª edição daquele que é considerado o “Globo de Ouro” dos Quadrinhos no Brasil (anteriormente, a categoria era chamada de “melhor cartunista, chargista ou caricaturista”).
Os vencedores foram revelados neste mês de dezembro pela Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-SP). Vale lembrar que o prêmio se refere às publicações lançadas em 2024 e o processo de escolha ocorre em duas etapas. Na primeira, 30 pessoas ligadas à área selecionam dez publicações em cada categoria que, na etapa seguinte, são disponibilizadas para votação popular via Internet.
Laerte foi a única a conquistar o “tri”, mas teve quem emplacou o segundo prêmio seguido na mesma categoria: O Capirotinho, de Guilherme Infante, repetiu a conquista do ano passado como melhor Web Quadrinho.

Já a excelente Germana Viana, que no 40º Angelo Agostini foi melhor desenhista, nesta edição ficou como número um na categoria desenhista/roteirista/colorista , por Orixás: Grio. A mesma HQ levou o troféu de Quadrinho Independente.

O prêmio de melhor quadrinho em si foi para Damas da Noite, quarto volume do Gibi de Menininha (Editora Zarabatana). Esta edição tem participação de Camila Suzuki, Clarice França, Flávia Gasi, Mari Santtos, Dane Taranha, Fabiana Signorini, Germana Viana (olha ela aí de novo!), Katia Schittine, Renata CB Lzz e Roberta Cirne.

Na categoria melhor Quadrinho Infantil, o troféu foi para Toda Crespa, quadrinho independente de Isabella Ismile. A artista baiana é ilustradora, escritora, quadrinista e roteirista, entre outras funções artísticas, e tem a trajetória marcada pelo afeto e pela representatividade, com o propósito central de empoderar mulheres e meninas negras, fortalecendo sua autoimagem. Um dos pilares do trabalho de Isabella é a abordagem leve sobre temas sensíveis, principalmente em relação aos cabelos crespos e cacheados.

O 41º Angelo Agostini de Melhor Fanzine foi para Por Que Chora? de Renata C B Lzz. Já Triscila Oliveira foi eleita a melhor roteirista, com a adaptação para quadrinhos do livro Quarto de Despejo (de Carolina Maria de Jesus).

A premiação de melhor desenhista foi para Jefferson Costa em Quando Nasce a Autoestima? Costa, que já tem na estante um Prêmio Jabuti por Jeremias – Pele e recentemente lançou Domingos em parceria com Sidney Gusman, é um dos desenhistas brasileiros que tem ganhado (merecidamente) cada vez mais projeção nos últimos anos.

O Prêmio Jayme Cortez, que homenageia pessoa ou instituição que tenha dado apoio ao quadrinho nacional, ficou com a deputada federal Benedita da Silva, pela autoria do Projeto de Lei n° 24/2020 – que deu origem à Lei nº 14.996/2024. A legislação reconhece as expressões artísticas charge, caricatura, cartum e grafite como manifestações da cultura brasileira.

Especiais e mestres
Três prêmios especiais foram dados pelo Angelo Agostini neste ano: o de editor, para Thiago Ferreira (Comix Zone!); o de Jornalista Especializado, para Mariana Viana (Fora do Plástico) e o de Podcaster ou Youtuber, para Alexandre Linck (Quadrinhos na Sarjeta).

Por fim, o 41º Angelo Agostini de Mestres do Quadrinho Nacional deste ano foi para o quarteto Adão Iturrusgarai (Aline, Rock & Hudson e outros), Gian Danton (co-criador do super-herói O Gralha, pesquisador de quadrinhos e professor da Universidade Federal do Amapá), Márcia D’Haese (artista plástica e criadora do personagem Smilinguido e da tira Mig e Meg) e Zélio Alves Pinto (pintor, jornalista, artista gráfico, escritor, caricaturista e ilustrador, um dos fundadores do jornal O Pasquim – ao lado do irmão, Ziraldo – e do Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

Vale lembrar que a categoria Mestres é a única que não é aberta a voto popular, por uma razão compreensível: o critério para ser indicado nesta categoria é ter pelo menos 25 anos de carreira dedicada ao mundo dos quadrinhos, então é preciso ter um conhecimento mais específico da área tanto para elencar os elegíveis quanto para escolher. Antigamente a categoria era aberta ao público, mas as pessoas acabavam escolhendo sempre os mesmos grandes mestres, caso de Mauricio de Sousa e Ziraldo, ambos já premiados há muito tempo.
Por fim, nunca é demais lembrar que a premiação leva o nome de Angelo Agostini em homenagem ao pioneiro dos quadrinhos no Brasil e no mundo – saiba mais sobre ele clicando aqui.




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