Falcão Matador: aumenta que isso aí é (HQ de) rock´n´roll!

13 de julho é o Dia Mundial do Rock e o que não faltam são quadrinhos sobre o tema. O Kiss já teve HQs próprias lançadas pela Marvel (algumas edições, segundo a editora,  impressas com gotas de sangue da própria banda misturadas na tinta);  Rolling Stones estrearam um quadrinho iconográfico feito pelo capista Dave Mckean (que fazia as capas de The Sandman); Rita Lee já apareceu em HQs até mesmo de Maurício de Sousa, que por sinal teve um projeto de fazer gibizinhos dos Beatles que só não foi pra frente porque um dos quatro detentores dos direitos da banda vetou (dizem que foi Yoko Ono, mas Mauricio, um gentleman, não confirma).

E, claro, nos quadrinhos nacionais um dos primeiros super-heróis brazucas foi Golden Guitar, herói criado em 1967 cujo alterego era Renato Fortuna, pop star claramente inspirado em Roberto Carlos.

Também não dá pra deixar de fora da lista Roko Loko e Adrina Lina, dupla que contracenou com várias lendas do Rock  mundial nas amalucadas e divertidas HQs desenvolvida por Marcio Baraldi para a revista Rock Brigade.

Mas um dos personagens que mais tem chamado a atenção nos últimos tempos atende pelo nome de Falcão Matador (ou Murder Falcon, no original). Criada em 2019 pelo premiado autor Daniel Warren Johnson – que, entre outros, tem na estante um prêmio Eisner por Do a Power Bomb (2023) – a história mistura fantasia, heroísmo, uma dose de drama, muitos monstros e Heavy Metal.

Diga-se de passagem, a Devir – responsável pela versão brasileira que reúne  272 páginas coloridas de história em um único volume (Murder Falcon: o Falcão Matador) – teve uma ideia brilhante relacionada à obra. A editora disponibilizou uma playlist no spotify com 32 faixas de heavy metal de “trilha sonora” da HQ, ou seja, para se ouvir enquanto lê o quadrinho.

Aliás, a inspiração do personagem é ligada de uma maneira bem direta ao rock. Daniel Warren Johnson conta que toca guitarra desde os 11 anos e, toda vez em que enfrentou problemas mais sérios ou tristezas profundas na vida, tocar guitarra o fazia se sentir melhor. “É por isso que eu amo o metal. É arrojado, é bobo e não tem medo de gritar para o vazio, mesmo em meio ao sofrimento. É a alegria em um mar de escuridão. E tem jeito melhor de mostrar o dedo do meio para as nossas tragédias do que arrasar em um solo de guitarra?”, diz.

Murder Falcon é uma espécie de metáfora deste sentimento, afinal na história o personagem principal literalmente usa a guitarra para combater seus monstros, ou melhor, criaturas monstruosas que estão destruindo o planeta.

Jake, um dos protagonistas, é um guitarrista muito gente boa que no início da aventura vivia um momento pessoal difícil, estava “sem banda, sem namorada e sem perspectiva.” Em um dia qualquer ele é atacado por uma gigantesca aranha ao entrar no próprio apartamento.

Sem querer Jake pega a própria guitarra velha, que se transforma e com um raio surge  (se você pensou Shazam, errou) um enorme guerreiro antropomórfico com corpo humano bombadíssimo, cabeça de falcão e um punho desproporcional de metal.

A criatura pede que Jake toque alguma coisa com urgência e, à medida que o guitarrista vai mandando ver no instrumento, a força e a fúria do tal Falcão Matador herói vai aumentando, possibilitando que derrote o aracnídeo monstruoso.

O herói explica então que existe um portal para outra dimensão, da qual o “rei Magnum Kaos” está mandando hordas de monstros, chamados Veldan, para dominar a Terra. A partir dali, o leitor fica sabendo mais sobre os traumas que levaram Jake a abandonar a guitarra na qual era considerado um mestre do Heavy Metal e acompanha a saga da dupla salvando inocentes e tentando livrar o planeta dos monstros que encontram pelo caminho.

Além das batalhas grandiosas, valorizadas pelo bom traço de Mike Spicer, a dupla relaxa tomando uma cerveja sempre que pode. E, sob orientação do Falcão, vai atrás da antiga banda de Jake para formar um batalhão mais poderoso contra os monstros, já que os instrumentos dos demais integrantes do grupo também estão ligados a criaturas lendárias do lado do bem.

Para não mencionar que quanto mais música melhor, afinal, afirma o Falcão: “O Heavy fortalece.”

And nothing else matters, já diria o Mettalica.

 

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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