Se as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica são geralmente mais leves e divertidas, nas Graphic Novels MSP é mais comum que os personagens de Mauricio Sousa abordem temas mais pesados. Mônica já se viu em meio à uma briga que quase ensejou a separação dos Pais (em Mônica-Força, de Bianca Pinheiro), Cebolinha se angustiou com o desemprego do pai (em Cebolinha-Recuperação, de Gustavo Borges) e Jeremias enfrentou o preconceito no contundente Jeremias – Pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa.
Pois a próxima Graphic MSP, prevista para chegar às bancas em setembro de 2019, vai mais uma vez enfrentar um tema sensível e necessário: assédio sexual.

A cargo da excelente desenhista e roteirista catarinense Fefê Torquato (criadora da Gata Garota), a história será estrelada pela personagem Tina, criada em 1964 originalmente como hippie e uma das que mais se transformou ao longo dos tempos. Como é uma jovem mulher e que convive em uma turma na mesma faixa etária, Tina caiu como uma luva para o bom roteiro de Fefê.
Na HQ, batizada de “Tina: Respeito”, a personagem tem 22 anos e é uma jornalista recém-formada, que acaba de conseguir o primeiro emprego. “Tina finalmente realiza o sonho de trabalhar em uma redação. Em meio ao aprendizado constante, novas amizades e muito esforço para buscar o seu espaço, ela só não esperava que seu maior desafio fosse ser pessoal, e não profissional. Em Respeito, Fefê Torquato usa a clássica personagem para expor um problema que mulheres enfrentam dia a dia, e precisa acabar: o assédio”, diz Sidney Gusman, responsável pelos títulos Graphic MSP.

Basicamente, Tina se verá às voltas com um jornalista mais velho e já conceituado, Jairo, que costuma colocar “focas” sob suas asas e os ajudar no início de carreira. O problema é que os interesses do sujeito não são exatamente fraternais dependendo do pupilo, como fica claro na conversa “profissional” que ele tem com a moça .
“Por que a gente não sai pra comer alguma coisa e fala sobre esse assunto, suas idéias pro nosso jornal, futuro, sua carreira…e sobre as muitas oportunidades que esse seu rostinho lindo pode criar?”

Além de Tina, a história tem participação de outros personagens da turma habitual dos quadrinhos, como Rolo e Pipa, que também estão iniciando carreiras profissionais em outras áreas, e da mãe de Tina, que tem seus próprios conhecimentos de vida sobre o tema assédio.
A arte de Fefê Torquato é um capítulo à parte. Além do bom traço, salta aos olhos a escolha das cores, lindamente pintadas em aquarela. E cabe ressaltar a escolha da autora de remeter o look de Tina ao original dos anos de 1960 em vez de optar pelo “modelo” mais sensual das últimas décadas – que fez com que a personagem até mesmo fosse sondada pela revista Playboy.

Aliás, neste sentido cabe ressaltar que Fefê Torquato acabou sendo vítima de alguns ridículos ataques na Internet porque escolheu uma versão menos voluptuosa na personagem, uma bobagem sem par. A autora tirou de letra, até porque já estava “escolada”, uma vez que havia sofrido algumas trolagens anteriores: quando o nome dela foi anunciado para tocar a Graphic, houve especulações sobre a habilidade dela como artista.
Outra bobagem que é facilmente revidada não só pela arte de Tina como pelos trabalhos anteriores da moça, como o já citado Gata Garota e a Graphic Novel Estranhos.

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