Muito além do entretenimento… a política que está no gibi

Mundo HQ

 

A utilização das histórias em quadrinhos como ferramenta eficiente para formar e informar vem de longa data.

 

Já nos anos de 1940 os EUA levaram todos os super-heróis para a segunda Guerra – e até criaram alguns, como Capitão América e Mulher-Maravilha – com o objetivo de elevar a moral americana, incentivar as tropas e  retratar o inimigo como odioso.

 

De leitura simples e agradável, que sobrepõe texto e imagem, as HQs atingem com rapidez os mais diversos públicos, em todos os extratos sociais e culturais.

 

Mao Tse Tung também percebeu isso e, em 1948, lançou os famosos quadrinhos vermelhos de Mao, que traziam ensinamentos sobre o comunismo e a forma ideal de se portar no novo regime  (até 1963, foram 12,7 mil títulos publicados, com 560 milhões de cópias distribuídas.

 

Em tempos modernos e mais democráticos, os quadrinhos são amplamente utilizados para difundir cultura, educar e incentivar a leitura.

 

Em um exemplo mais recente, em agosto de 2007 o governo dos Emirados Árabes, após constatar que a identidade nacional de suas crianças era extremamente fragmentada em relação à língua e costumes (dos quatro milhões de habitantes, apenas 20% são naturais do país), lançou o personagem Ajaaj, o “Tempestade de Areia”.  Os resultados, segundo o programa de desenvolvimento social Watani, responsável pela criação do super-herói, tem sido melhores do que os esperados.

 

 

Vale lembrar ainda que aqui no Brasil a cada ano o programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) amplia sua lista de obras quadrinizadas e professores, alunos e pesquisas comprovam o sucesso da HQ como ferramenta de ensino.

 

Mas a utilização política também continua e vai muito bem, obrigada. Já na era Vargas os quadrinhos foram bastante utilizados pelo governo.

 

Mais recentemente, não faltam exemplos de histórias que ajudam a popularizar e a elucidar os mais diversos temas político-governamentais: do gibizinho sobre Renda Mínima ao belo trabalho de Maurício de Sousa contra as drogas.

 

O Instituto Turma da Mônica, por sinal, tem inúmeras HQs que podem ser impressas com as mais diversas campanhas e histórias seriadas que abordam temas como campanhas de vacinação, acessibilidade, contra o fumo, trânsito, puericultura, maternidade, doenças cardíacas e por aí afora (para acessar basta entrar no site www.monica.com.br e clicar no item instituto cultural) .

 

 

 

As campanhas políticas também enxergaram a força dos quadrinhos. O presidente Lula, em sua primeira campanha vitoriosa ao Planalto, utilizou-se – e bem – do belo presente que ganhou do cartunista Bira Dantas:  a gibiografia “Lula, a história de um vencedor” foi muito mais efetiva para contar a história romanceada da vida do presidente do que qualquer filme.

 

 

Em um exemplo mais recente, a candidatura a deputado estadual do ex-secretário de transportes de Campinas e São Paulo Gerson Bittencourt (PT)  ganhou uma HQ de duas páginas como reforço. Com objetivo declarado de mostrar ao eleitor, de maneira leve e objetiva, a vida e as principais realizações do postulante ao cargo na Assembléia Legislativa Estadual, a história também foi desenhada por Bira Dantas.

 

O argumento ficou a cargo do jornalista Djota Carvalho, autor da tira Só Dando Gizada e do livro “A Educação está no Gibi (Papirus Editora), que conhece o tema e a ferramenta muito bem.

 

“Quem pensa em HQ apenas como entretenimento e não como um meio de comunicação eficiente está redondamente enganado. Nos quadrinhos, é possível criar e recriar cenas para as quais não existem registro fotográfico, é possível agregar imagens a textos mais frios conferindo vida a eles. Assim, são uma forma excelente de se informar os mais variados segmentos da sociedade, portanto um meio eficiente dos políticos tornarem suas biografias e propostas conhecidas”, diz Carvalho, ressaltando que também o jornalismo descobriu os quadrinhos como suporte. “Hoje já há jornais que trazem matérias no formato de quadrinhos, para não mencionar as reportagens em HQs, das quais (o falecido) Will Eisner e Joe Sacco são as grandes expoentes.”

 

Como se vê, em especial nos tempos de eleição, a política está no gibi. Assim como ali estão a cultura, a educação, o entretenimento e muito, muito mais…

 

Em tempo: a história de Gerson Bittencourt pode ser conferida no site oficial do candidato e no blog, de onde os apoiadores da campanha estão baixando e imprimindo cópias para distribuição.  

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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