Criada como uma das heroínas mais poderosas da Wildstorm Productions em 1999, por Warren Ellis e Bryan Hitch, a personagem Engenheira é uma ilustre desconhecida para a maioria das pessoas do planeta, aí inclusa boa parte dos leitores de gibi e fãs de super-herói. Ou melhor dizendo, era. Graças à participação dela no filme de Superman lançado neste julho de 2025, como assecla implacável do vilão Lex Luthor, a moça começa a ganhar mais notoriedade.
Originalmente, Angela Spica, nome de batismo da personagem (que prefere ser chamada de “Angie” e não é muito fã do codinome Engenheira), já surgiu como integrante da superequipe Authority. Comandado por uma heroína secular chamada Jenny Sparks, esse grupo de seres superpoderosos é extremamente violento e, com a intenção de salvar vidas, mata quem for preciso e se coloca acima de qualquer lei, país ou nação.

A origem da moça foi revelada na edição especial Jenny Sparks – a História Secreta do Authority (inicialmente publicada no Brasil pela Devir em 2006). Filha de uma família humilde do Queens, em Nova York, Angela era viciada em gibis (ela tinha uma coleção com “todos os gibis lançados pela DC desde 1956”).

Diferentemente das cinco irmãs mais velhas que engravidaram cedo e abandonaram os estudos, ela era um gênio que seguiu carreira em ciências diversas, em especial as que envolviam computadores.

Em determinado ponto da vida dela, um outro cientista (e herói) que era conhecido como Engenheiro, ao morrer, transfere para a moça todos os dados e estudos revolucionários que tinha sobre nanotecnologia. Angie junta esse conhecimento ao próprio trabalho sobre “fusão homem-máquina.”
O resultado é que ela substitui o próprio sangue por “quatro quilos e meio de maquinário líquido” e se torna uma super-heroína extremamente poderosa. Com a pele recoberta por uma camada de metal quando está em ação (que a deixa com um aspecto do androide de metal líquido T-1000, de Exterminador do Futuro 2: Julgamento Final), ela consegue criar do ar praticamente qualquer tipo de arma ou tecnologia acoplada ao próprio corpo.

Apesar de no filme a personagem ser mostrada com serras no final das mãos, as armas favoritas da Engenheira são uma espécie de metralhadora/canhão-de-mão que solta raios de energia pra lá de destruidores.

Mas ela também pode (usando apenas a imaginação e os nano-o-que-quer-que-sejam que fazem parte dela mesma) criar do nada um traje espacial completo que inclui propulsão para chegar até a lua em poucos minutos ou até criar (!) “pulmões substitutos dentro dos dela” para filtrar ar contaminado e respirar normalmente.

Angie também é a principal responsável pela manutenção da gigantesca nave biomecânica da equipe, uma criatura viva chamada Balsa, e pela comunicação dos integrantes do Authority. Para isso, ela conecta a todos por “radiotelepatia”, sem necessidade de nenhum equipamento, e até consegue gerar uma sala virtual onde todos se reúnem mentalmente onde quer que estejam.
A Engenheira também consegue se conectar a qualquer equipamento tecnológico disponível e tem até mesmo uma “teia invisível de sensores mecânicos” em volta do próprio corpo, que a permite sentir mudanças climáticas, atmosféricas e eventuais invasões do espaço. A capacidade de Angie de construir qualquer coisa praticamente do nada fazem com que ela seja conhecida também como “A Criadora.”

Nas HQs do Authority, na medida em que o grupo vai se tornando popular Angie também vira uma espécie de musa pop da ciência e, em um futuro antecipado relance em uma HQ que envolve viagem no tempo, ela revela ser naquele momento professora da Universidade de Princeton.
Vale lembrar que, apesar de no filme do Superman a moça está do lado “do mal”, o próprio Homem de Aço deixa uma porta aberta para que eventualmente migre para o time dos mocinhos no futuro. Em uma das lutas contra ela, o Azulão diz que “ainda há tempo” para ela fazer a escolha certa e os fãs acreditam que esse tempo não vá se limitar à duração do longa, ou seja, quem sabe em algum filme futuro do novo universo cinematográfico da DC a Engenheira reapareça como heroína.

Ironias
Cabe ressaltar ainda algumas ironias envolvendo o Authority, grupo de heróis original de Angela Spica. A primeira delas é que a DC comprou a Wildstorm em 1998, um ano antes do surgimento do Authority, mas manteve a editora publicando regularmente e englobou os títulos em um selo Wildstorm, no qual a histórias se passavam em um “universo diferente” dos personagens DC.
A decisão, provavelmente, levava em conta que a maior parte dos personagens da editora comprada era bem mais violenta e em estilo diferente da casa de Superman e companhia. Tanto que, no ano de 2001, uma história justamente do Homem de Aço foi usada para rebater a ideia de heróis violentos.

Na HQ, chamada inicialmente no Brasil de Olho por Olho e recentemente relançada pela Panini Comics, há uma referência mais do que clara ao Authority, que aparece de maneira caricaturada em uma equipe batizada de “Elite.”
Com o passar do tempo e até mesmo os reboots feitos pela DC, os personagens de Authority foram se integrando ao universo regular, mudando e aparecendo com menos frequência, ainda que alguns – como a dupla/casal Meia-Noite e Apollo – tenham ganhado séries específicas.
Em 2011, a Engenheira ganhou até uma nova origem na DC e passou a ser líder de outro grupo originário da editora Wildstorm, chamado Stormwatch. Nesta versão, a personagem vai ficando cada vez mais humana e acaba chegando a conclusão que eliminar a raça humana é a melhor forma de proteger a Terra. No final dessa série Angela aparentemente morre.

Contudo, em 2014, com o reboot Os Novos 52, a Engenheira reaparece mais uma vez como integrante do grupo Stormwatch, basicamente com as mesmas características que tinha no Authority e permanece como heroína.
Por sinal, em 2021 a DC chegou a publicar uma série em um futuro alternativo, Superman and the Authority, na qual o Homem de Aço decide formar um “novo grupo” chamado Authority. Para isso se alia a Manchester Black – o personagem caricatura de Jenny Sparks em Olho por Olho – e convoca diversos supers, porém nesse grupo apenas a dupla Meia-Noite e Apollo é do quadrinho original.
De maneira geral, os personagens da superequipe criada em 1999 na Wildstorm ainda hoje estão meio “perdidos” no universo DC. Contudo, a participação da Engenheira no filme do Superman talvez abra caminho para que (ao menos) ela possa voltar a ganhar destaque e espaço na editora e nos cinemas. Se como vilã ou heroína, porém, é algo que apenas o futuro dirá.





Comentar