Em 1986, o estadunidense Scott Adams trabalhava como funcionário para o Crocker Bank e, entediado com o ofício que detestava, começou a desenhar uma tirinha em quadrinhos para se distrair.
O protagonista era um funcionário medíocre, inspirado no próprio Adams, chamado Dilbert. Inicialmente os desenhos circulavam por fax dentro do próprio banco. Só em 1989 – quando o autor já trabalhava na Pacific Bell – é que Dilbert ganhou as páginas dos jornais.
E rapidamente se tornou uma das tiras mais lidas em todo mundo (chegou a mais de dois mil jornais, em 70 países e 25 idiomas diferentes), deu origem a uma série de livros e até mesmo batizou obras e teses econômicas. Também transformou-se em desenho animado, série de animação adulta e até em um filme (Dilbert, de 1997).
Em 2023, em virtude de comentários racistas feitos no próprio podcast, a tirinha sofreu uma série de cancelamentos. Scott Adams classificou a população negra estadunidense como um grupo de disseminação de ódio e posteriormente chegou a dizer que sua fala fora exagerada, mas não se retratou nem mudou de posicionamento.
Vários grandes jornais cancelaram Dilbert e, pouco depois, a principal distribuidora da tirinha rompeu contrato com Adams. O autor passou publicar as tiras então, em uma versão considerada “mais mordaz” por muitos leitores, batizada de Dilbert Reborn, em site próprio com visualização por meio de assinatura e na plataforma Rumble.
Dilbert é o funcionário de uma grande empresa e os quadrinhos retratam o cotidiano do mundo dos negócios, da maneira mais realista e sarcástica possível. As burocracias inúteis, os chefes burros e torturadores, os tecnocratas e os preguiçosos, enfim, todos os tipos comuns que vemos ou com que lidamos no dia a dia de nossos próprios empregos são retratado na tira de maneira magistral.
O personagem principal é baseado nas experiências do próprio autor – que também usa óculos, passou anos enfiado em um cubículo, adora tecnologia e sente-se “oprimido pelo sistema” – e em colegas que trabalharam com ele.


Dogbert – O inteligentíssimo e sarcástico cachorro reúne, segundo Adams, as características de um colega de trabalho misturadas a de uma cadela beagle que ele teve por 14 anos. “Ela nunca vinha quando a gente chamava. Achava que nós, humanos, estávamos lá para diverti-la”, conta.
Curiosidade: Dificuldades para desenhar
Scott Adams confessa que, mesmo após décadas fazendo Dilbert, ainda tinha d ificuldades para desenhar Dilbert e Dogbert, os personagens principais da tira (e do desenho animado).





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