Lançado em 2023 nos EUA, o Garoto-Aranha faz parte de uma estratégia da Marvel para conquistar um público mais jovem. Aliás, não só da Casa das Ideias: a própria DC suavizou o Robin filho do Batman, Damian Wayne, que passou de assassino treinado a uma versão mais infantil montado em um morcego dragão e, posteriormente, em aventuras juvenis ao lado de Jonathan Kent em Super-Filhos.
Criado pelo roteirista estadunidense Dan Slott e pelo desenhista mexicano Humberto Ramos, inicialmente os planos para o personagem estabeleciam que ele seria um secundário divertido aparecendo nas revistas do aracnídeo. Uma espécie de Xaveco do Homem-Aranha. Porém, a popularidade do menino foi tão grande que ele rapidamente ganhou revista mensal – nos Estados Unidos já são 20 exemplares lançados, além de um oneshot ao lado de Kidpool, filha de Deadpool.

Aqui no Brasil, por enquanto, foram lançadas duas coletâneas: uma em novembro de 2024 (Maravilha sem Teias, 112 páginas, reunindo os gibis originais de 1 a 4) e outra em maio de 2025, com o arco Diversão e Jogos (136 páginas, contendo o conteúdo dos volumes 5 a 10).
A boa nova para os fãs do Spider-Boy é que a Panini acaba de confirmar o lançamento da terceira coletânea, O Desafio do Dragão, para janeiro de 2026. A HQ com 136 páginas reúne os números 11 a 16 da revista estadunidense e já está em pré-venda no site da editora, por R$ 39,90.

Origem do Spider-Boy
Segundo Dan Slott, a ideia do personagem em uma conversa com o editor dele enquanto escrevia os momentos finais da saga Aranhaverso (2022-2023), na qual aparecem várias versões do herói aracnídeo. “Eu disse a ele: não seria divertido se houvesse mais um cara? E que agora ninguém se lembrasse dele. Começamos a conversar sobre que tipo de personagem seria e eu defendi fortemente um Garoto-Aranha. Por quê? É que esse novo herói seria o mais jovem personagem aranha, já que tanto Peter (Parker) quanto Miles(Morales) foram picados quando já eram adolescentes”, conta.

Na opinião de Slott, seria muito divertido acompanhar aventuras de um Aranha pré-adolescente, alguém que o Homem-Aranha não ia querer ter por perto, para não expor uma criança ao perigo. “O Aranha é muito responsável e que tipo de herói responsável você seria se deixasse esse menino de nove ou dez anos solto por aí combatendo o crime? É mais ou menos dessa ideia que (o Garoto-Aranha) surgiu”, conta.
Quem é o Garoto-Aranha
Bailey Briggs – sim, mais uma aliteração estilo Stan Lee (Peter Parker, Bruce Banner, Reed Richards, Susan Storm, Matthew Murdock…) – é um garoto de dez anos que foi sequestrado por uma cientista maluca conhecida como Madame Monstruosidade. Ela misturou o DNA do garoto com o de uma aranha, o transformando em uma criatura híbrida.

Bailey consegue alterar sua forma entre uma criança e uma criatura com oito olhos, mandíbulas com veneno e outros apetrechos aracnídeos que incluem visão aguçada e falar com outras aranhas). Mesmo como humano, porém, ele tem força e agilidade excepcionais, consegue escalar (gruda nas) paredes e possui um sentido aranha precognitivo – quando toca em um objeto, ele costuma ver coisas que irão acontecer.

Libertado pelo Aranha, ele começa a ser treinado para ser um herói (Peter Parker inclusive o leva para um “estágio” com o Demolidor) e chega a atuar como parceiro mirim do aracnídeo, com quem vive grandes aventuras. Usando um uniforme desenvolvido por Reed Richards, o Senhor Fantástico, ele chega até mesmo a salvar da morte ninguém menos que May Parker, a eterna Tia May do Homem-Aranha.

Porém, em decorrência de um objeto mágico (a adaga totem) ele é morto e apagado da existência: ninguém sequer se lembra que um dia houve um garoto chamado Bailey. Ele acaba sendo ressuscitado (longa história), mas a ignorância das pessoas permanece, e apenas ele se lembra não só da carreira de herói como da mãe, amigos e pessoas com quem conviveu.
Triste e frustrado por ninguém reconhece-lo, Bailey acabará fazendo algumas novas amizades e futuramente irá salvar outras crianças que foram transformadas por Madame Monstruosidade, bem como a própria mãe dele, Tabitha (que eventualmente recupera as memórias apagadas do filho e abençoa a carreira dele como super).

Ele também terá que voltar para a escola e conviver com os problemas cotidianos de uma criança de dez anos e o mundo dos heróis, no qual tentará se reencontrar não mais como um parceiro do Aranha, mas em carreira solo.
Além de divertidas e com arte bem interessante, as HQs do Garoto-Aranha contam com a presença de inúmeros pesos pesados do universo Marvel, além dos já citados Homem-Aranha, Demolidor, Miles Morales e Kidpool (a menina, diga-se, tem a mesma idade de Bailey e se apaixona por ele…). Entre outros “convidados especiais”, aparecem Ms Marvel, Capitão América, Garota Esquilo e Thor – que se surpreende ao ver o menino batendo papo com uma gigantesca aranha asgardiana mítica.

E como todo super-herói que se preze, o menino também tem uma galeria de vilões próprios, que incluem Gutterball, Homem-Balão e Maka Akana/Funhouse. Apesar de ainda não ter completado três anos de criação, pelo visto o Garoto-Aranha tem potencial para se firmar como um personagem fixo no uverso dos quadrinhos da Marvel.
Resta saber se a editora irá optar por uma fórmula Turma da Mônica e mantê-lo criança para sempre nas revistas regulares ou se o fará ficar mais velho, como aconteceu com Peter Parker e Miles Morales. Até porque, se isso ocorrer, em vez de um Spider-Boy passarão a existir três Spider-Man (ou seria Spider-Men?) e Bailey Briggs perderia justamente o diferencial que levou à sua criação: o de ser um super-herói criança.





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