Tá com dó? Não leve pra casa, não! Coringa é um vilão

Angustiante e perturbador. Já a partir dos minutos iniciais de Coringa (Joker) o espectador sabe que todo vai dar errado da pior maneira possível, basta esperar um pouco. E que a espera vai valer a pena…

Com uma interpretação monstruosa de Joaquin Phoenix no papel título,  o filme que mostra uma origem do vilão mais icônico de Batman está dando o que falar  e já começa a arrebatar prêmios como o Leão de Ouro, do Festival Internacional de Cinema de Veneza. E não é à toa.

Primeiro e mais que tudo pela interpretação magnífica do ator principal, que faz muita gente ficar com dó do “palhaço do crime”, apelido até infantilizado que o personagem surgido em 1940 pelas mãos de Jerry Ronbinson ganhou em seus primeiros tempos de HQs.

O sentimento de pena é garantido, mas melhor não se fiar nele, como alerta o próprio Phoenix:  “O Coringa é uma pessoa complexa e há momentos em que se pode simpatizar com ele ou pelo menos ter certa empatia. Mas não se engane, ele é um vilão. Para mim, ele é a própria definição de narcisismo, que é a expectativa de que seus sentimentos devem ser validados pelos outros e que todos precisam prestar atenção porque você é a pessoa mais importante do mundo.  O narcisismo é muito perigoso.”
O ator, que emagreceu 23 quilos para entrar na pele do protagonista, diz que nunca foi muito ligado na indústria do entretenimento em massa, por isso não conviveu com nenhum tipo de pressão para criar a própria versão do Coringa. Porém, está feliz com o impacto causado no público – o filme estréia nos cinemas de maneira oficial neste começo do mês de outubro, mas já teve pré-estreia antes em diversos cinemas de vários países, entre eles o Brasil.  

 “Fico feliz quando um trabalho que faço causa uma reação forte, visceral, seja ela qual for. A indiferença é que incomoda”, pontua Phoenix, que com certeza não está incomodado no momento.

O filme dirigido por Todd Phillips  – que escreveu o roteiro junto com Scott Silver – está recebendo inúmeras críticas positivas (e algumas negativas também, o que tanto Phoenix quanto o falecido dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues aprovariam, este último dizendo que, ora bolas,  “toda unanimidade é burra“).   

Contudo, o que é quase unanimidade nas críticas, ao menos na dita grande imprensa, é que o filme Coringa é muito sombrio, e há quem diga que vai além do que qualquer coisa já apresentada nos quadrinhos.

A primeira afirmação está certa. Propositadamente, a película é sombria até mesmo na paleta de cores, em que pesem os trajes coloridos do perturbado malfeitor. Já a segunda afirmativa não se sustenta para quem lê e conhece mais o mundo das HQs, talvez por ter sido feita por quem está mais acostumado a ver filmes de super-herói e não tenha atentado para o fato de que este filme em particular aborda um super…vilão.

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Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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