O Último Fantasma: No More Mr. Nice Ghost

Velho ditado da Selva: “Às vezes o Mundo HQ antecipa fatos de uma história com a rapidez do relâmpago. Se não quer ver spoilers, não leia esse texto

O MundoHQ teve acesso às três primeiras edições de The Last Phantom desenhadas pelo brasileiro Eduardo Ferigato (valeu, Edu!) e pode afirmar: o Último Fantasma é excelente!

Vamos torcer para que a Panini descubra isso logo e publique a nova encarnação do Espírito-que-Anda por aqui. Isso dito, aos fatos.

Pra começo de conversa, esqueça o Fantasma que você conhece e que, desde 1936, nunca matou ninguém, apesar de distribuir boas pancadas. Esse Fantasma começa a história bonzinho , mas a cara de Lex Luthor da versão filantropa de Kit Walker devia servir de alerta a seus inimigos: não mexam com ele.

A partir do momento em que percebe o ataque do qual sua família e seu país é vítima, o Último Fantasma não tem pruridos em matar e torturar inimigos em busca de justiça (e um pouco de informação e vingança, não necessariamente nesta ordem). Tropa de Elite é pouco para esse senhor Walker.

O roteirista Scott Beatty também quis explicar um pouco mais das habilidades do personagem, por isso mostra em flashbacks a infância do herói e como o pai dele o treinou com mão de ferro. Além das vantagens físicas e do intelecto superior, o Fantasma Pai era caçador nato e conhecedor extremo da África, reconhecendo até mesmo as mais diversas plantas pelo cheiro, habilidades que o último Espírito-que-Anda aprende em um treinamento bastante rigoroso.

Quanto aos demais personagens, a esposa e o filho são meros figurantes e motivação para o herói voltar a vestir o uniforme e implementar linha-dura contra o crime.

Os vilões são bastante óbvios, a começar pelo traidor na Fundação Walker, o pomposo Peter Quisling. Desde o início, até mesmo pelo desenho acurado de Ferigato que mostra mais no olhar do moço do que devia, as intenções do rapaz ficam claras – aliás, seguindo a dica dos rostos, Kit Walker também deveria saber que um sujeito que tem a cara de Tony Stark sempre é mais do que aparenta…

O outro vilão, general Jaali, é um típico golpista de terceiro mundo e também é linha dura, inclusive com aliados. Estereótipos à parte, todos os personagens são bem feitos, as falas se encaixam e não faltam frases de efeito.

O roteiro de Beatty é redondo e o escritor sabe como reintroduzir com cuidado e eficiência na nova história os elementos clássicos do personagem criado por Lee Falk.

Assim é emocionante ver o herói colocar o Anel da Caveira e o da proteção em suas mãos, rever Herói e Capeto, a Caverna da Caveira e um velho e irônico Guran, que chega a questionar se estar ao lado do fantasma realmente é uma benção aos pigmeus.

Mesmo na cena do treinamento do pequeno Fantasma, há referência aos tesouros fantásticos guardados pelo clã durante os séculos e o leitor mais conhecedor reconhecerá outros personagens secundários de antigas HQs.

Não será surpresa se nos próximos números Beatty trouxer de volta (ao menos em citações ou explicações) a Praia do Éden, o Falcão Fraka, o telefone secreto do Comandante da Patrulha da Selva, Diana Palmer, Rex  ou até mesmo Heloíse, irmã-gêmea de Kitdrige que, com certeza, não será esquecida nas novas aventuras.

Independentemente disso, a julgar pelos primeiros três números, o projeto capitaneado por Alex Ross terá sucesso ao atualizar um dos maiores clássicos de todos os tempos aliando elementos tradicionais a uma linha moderna e renovada que promete mais uns bons séculos de aventura para o clã Walker.

NOTA DO CRÍTICO: Passável

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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