Penadinho -Luz: trilogia do fantasminha nas Graphic MSP termina com espírito de (re)começo

Na tradicional apresentação que Mauricio de Sousa escreve em cada Graphic MSP, o pai da Turma da Mônica conta que ao receber Penadinho – Luz das mãos do editor Sidney Gusman ouviu a sugestão de reler as duas primeiras Graphic MSP do fantasminha (respectivamente, Vida e Lar) antes de embarcar no tomo final da trilogia.

Mauricio diz ter ficado preocupado se haveria necessidade de ler as aventuras iniciais para entender essa última, mas acabou concluindo que não era nada disso: a história se conta bem, mas como os autores amaram bem as pontas soltas que deixaram nas HQs anteriores, era interessante relembrar o que aconteceu antes.

Longe de discordar de Mauricio, que completou 90 anos neste último mês de outubro, mas ler – ou reler – tanto Vida quanto Lar é fundamental não para entender Luz em si, mas sim para compreender melhor a história e apreciar com toda amplitude essa terceira Graphic com a assinatura do casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko. Até porque já de cara o episódio começa com a Turma do Cemitério recolhendo os arquivos de Dona Morte que foram amplamente espalhados justamente após o desastre ocorrido em Lar (2020).

E haverá ainda diversas “citações” – que incluem personagens e cenários – tanto do segundo livro quanto de Vida, HQ inicial que a dupla produziu em um hoje longínquo 2015.  Ademais, Luz efetivamente conclui (belamente) um tema que permeia os livros anteriores: o amor e o medo da morte. Ou, melhor dizendo no caso dos fantasmas, da reencarnação.

Se na primeira HQ Alminha estava destinada a reencarnar, aqui a “arrumação” que Cranicola faz dos arquivos acaba colocando Penadinho na lista de Dona Cegonha. E, agora que finalmente assumiu o romance com sua (literalmente) alma gêmea, ele vai encarar a notícia não só com medo, mas como muita raiva também.

Em paralelo, na típica linha “terrir” dos quadrinhos do fantasminha, Dona Morte acaba sendo envolvida em um jogo de esconde-esconde com o resto da turma.  Só que Zé Vampir, Muminho e Frank resolvem se esconder em um hospital no meio da cidade, o que gera boas piadas – com pessoas vendo a dita cuja vagando pelos corredores – e alguns reencontros.

Vale aqui fazer um destaque:  Paulo Crumbim e Cristina Eiko, que desde o primeiro número criaram uma figura assustadora para Dona Morte em contraste à fofura dos demais personagens, neste terceiro volume suavizam a imagem de maneira divertida.

Além do retorno dos espíritos felinos que já havia aparecido em Lar, a inevitável agora carrega os mais diversos badulaques pendurados na foice. E ainda entra no hospital cantando Roberto Carlos…

Também não faltam nesta HQ participações de personagens de – e referências a – outras Graphic MSP, entre as quais Tina-Respeito, Franjinha-Contato e Jeremias-Estrela.

Nas já tradicionais páginas com extras após o final da história o leitor confere essas citações e outras informações, além de detalhes sobre o processo de criação da dupla autora e até duas páginas sobre as reencarnações de Penadinho nos gibis regulares da Turma da Mônica.

Quanto ao final da trilogia em si, sem dar spoiler, pode-se dizer que ele é feliz e, de alguma forma, previsível. Contudo, nem por isso menos emocionante e muito bem-feito.

Tudo que é bom sempre chega ao fim, inclusive a vida. Nas HQs de Penadinho e na crença de milhões de pessoas, a “vida” de um espírito desencarnado também é interrompida, por meio da reencarnação. Contudo, como Paulo Crumbim e Cristina Eiko deixam claro nas páginas de Luz, o amor verdadeiro nunca morre. Ou, talvez, sempre renasça.

Ficha técnica: Penadinho – Luz

Autores: Paulo Crumbim e Cristina Eiko
Páginas: 96
Formato: 19 x 27,5 cm
Acabamento: Quadrada – Couchê 150g Brilho/ Cartão 250g
Preço Capa Cartão: R$ 44,90
Preço Capa Dura: R$ 64,90

Link de venda no site da Panini

 

NOTA DO CRÍTICO: Esse é bom

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

1 comentário

  • Eu tenho uma boa porção de Graphics MSP e realmente, Penadinho é uma que é escrita com tanta delicadeza (afeta ao tema) que é um dos grandes destaques.

    Esse texto me convenceu a comprar LAR antes de comprar LUZ para fechar a trilogia.

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar, você concorda com nossa Política de Privacidade.