Em 2003, o artista plástico nascido em Jundiaí Ede Galileu – meio que de brincadeira com a cidade natal – resolveu se unir a dois amigos para criar a Liga Jundiaiense de Super-Heróis. A ideia era, junto com os também roteiristas/desenhistas Hugo Nanni e Rodolfo Bonamigo, criar uma superequipe composta por personagens que de alguma forma representassem a cultura local, criando heróis e histórias que se passassem na ou tivessem alguma relação com a cidade do interior paulista.

Ede conta que queria fazer um herói que tivesse o poder de se esticar, em especial porque sabia que o amigo Hugo era fã do Homem-Borracha (Plastic Man), o amalucado personagem da DC Comics criado por Jack Cole em 1941. “Foi complicado pensar em algo original, eu já tinha o visual dele, mas precisava pensar em uma origem e um nome. Mas ele não podia ser de borracha ou elástico, então, pensando em coisas que esticam, meu irmão Anderson sugeriu chiclete. E eu fiquei me perguntando como não pensei nisso antes”, conta o quadrinista.

Segundo Ede, nos instantes seguintes já passou pela cabeça dele toda a história de origem e poderes do personagem, bem como a ideia de ele ser cor-de-rosa e cheirar a tutti-frutti (o que abria a possibilidade de também explorar o humor nas HQs).
Inicialmente participante da Liga (que também conta com heróis como Jundman, Italianona e Taru-Man), o Homem-Chiclete ganhou gibi solo em 2021, repetindo o feito em 2023. Os dois primeiros gibis saíram pelo Coletivo JundComics.

Em 2024, desta vez pela editora Heróica, veio o terceiro volume – agora rebatizado de As Aventuras do Homem-Chiclete – trazendo novidades como o Chicletemóvel. Diga-se de passagem, o veículo remete um pouco à “forma de carro” que o Homem-Borracha original assumia em algumas HQs, tendo faróis como olhos e um “sorriso” na frente.

Ede Galileu também criou (em 2019) uma versão infantil do personagem, o Chicletinho, direcionado especificamente para o público infantil. Não se trata, porém, de aventuras da infância do Homem-Chiclete e sim de um segundo personagem, que – destaca o autor – não vive no mesmo universo do titular.
Assim, ainda que seja basicamente uma criança com aspecto físico e poderes iguais aos do original, ele é de uma terra paralela (vale lembrar inclusive que o Homem-Chiclete só ganhou os poderes depois de adulto).

“É a minha contribuição para o universo das HQs infantis, afinal se não fosse por Mauricio de Sousa, Eli Barbosa, Ziraldo e Walt Disney, talvez eu não tivesse me encantado tanto com as HQs a ponto de me tornar um quadrinista também”, diz,
Importante ressaltar ainda que o criador Ede Galileu conta com parcerias para as histórias do super-herói jundiaiense, ou seja, como é comum em histórias de inúmeros super tradicionais, há HQs em que o roteiro e desenhos do personagem são de outros quadrinistas. Contudo, um diferencial do herói (e da versão Chicletinho) é que ele protagoniza tanto aventuras mais longas quanto tirinhas de humor e até cartuns.

O Homem-Chiclete também chegou a ganhar um game estilo Infinity Run, aquela “corrida infinita” onde o usuário tem que ajudar o protagonista a saltar, desviar ou destruir obstáculos no caminho, lançado pela Hera Games. O jogo chegou a ser disponibilizado para celulares, mas no momento não se encontra disponível – é possível brincar com ele, porém, em alguns sites de Internet.

Enredo
Aos 19 anos e formado em Educação Física, Wesley Josuá é campeão de tênis e praticante de esportes de aventura, além de ter acumulado uma razoável fortuna apesar da pouca idade. Um dia, quando fazia uma trilha de bike na Serra do Japi, ele cai em uma ravina e acaba desmaiado sobre uma combinação de produtos químicos que eram descartados irregularmente no lugar por uma empresa produtora de chicletes e balas.
Resgatado horas depois, ele fica 15 dias em coma e, fora do hospital, começa a desenvolver uma série de poderes decorrentes de alterações sofridas no corpo do rapaz por causa da combinação entre os produtos químicos e a vegetação do local do acidente.
Entre os poderes (o autor Ede Galileu diz que novos poderes ainda poderão surgir) estão a capacidade de esticar e retrair qualquer parte do corpo, mudar o próprio peso e densidade, bem como alterar a viscosidade e a dureza da própria pele.

Por sinal, a pele também passa a ser cor-de-rosa, as orelhas e o cabelo do rapaz desaparecem e ele passa a exarar cheiro de tutti-frutti. Adorando o novo visual e poderes, Wesley assume o nome de Homem-Chiclete e passa a dividir o tempo entre “a vida de celebridade, salvar o mundo e o trabalho voluntário na cidade de Jundiaí.”
Personagens

Além de participações de outros heróis nacionais (como o ciborgue Revolt e o herói Amanhecer), o Homem-Chiclete se confronta com alguns supervilões. Parte deles é mais genérica e nem chega a ser identificada (ou mesmo a “pensar em um nome”), mas há outros mais definidos, como o Nanquim.

O herói tem ainda aliados como o “doutor” Henrique Sanches, um especialista em tecnologia das Empresas Wolter, que apoiam o super-herói e são responsáveis pelo desenvolvimento do Chicletemóvel e outros badulaques.

Curiosidade: cheirinho de chiclete mesmo
Quem comprou a revista As Aventuras do Homem-Chiclete (o terceiro gibi solo o herói) pelo Catarse teve uma bela surpresa quando recebeu a edição em casa. Além do autógrafo de Ede Galileu e alguns brindezinhos inesperados, como marcador personalizado de página, o pacote veio…cheirando a Tutti-Frutti.
Uma bela jogada de marketing que, diga-se de passagem, permanece por um bom tempo. Leitores que guardaram o gibi no plástico da embalagem garantem que mais de sete meses depois o cheirinho de chiclete ainda permanecia nas páginas da revista!





Comentar