Batgirl(s)

Ao se lembrar da personagem Batgirl, a maioria absoluta das pessoas irá imaginar a heroína de cabelos ruivos, cuja verdadeira identidade é Barbara Gordon, filha do comissário de polícia de Gotham City.  Contudo, ainda que seja a mais icônica, Barbara não foi a primeira garota-morcego.

Cinco anos antes de Babs aparecer, mais especificamente em 1961, uma menina loira chamada Betty Kane se tornou a primeira Batgirl. Elaborada pelo criador do Batman, Bob Kane, em parceria com o desenhista Sheldon Modoff, Betty era uma garota de 16 anos extremamente apaixonada pelo Robin.

A tia dela, Kathy Kane, foi a primeira Batwoman e namorada do Batman – esta personagem também foi criada por Kane e Modoff um pouco antes, em 1956, como uma resposta à suposta homossexualidade de Batman criticada pelolivro A Sedução do Inocente.  Betty, campeã infanto-juvenil de tênis e adepta de outros esportes, lutava ao lado da tia e, de uma maneira um tanto quanto engraçada, tentava seduzir o menino-prodígio.

Por ser mais um alívio cômico do que qualquer outra coisa, havia uma falta de argumentos para histórias com a personagem,  e com isso ela foi “aposentada” dentro das próprias histórias. Frustrada por não ter o amor correspondido, Betty volta à sua vida normal de estudante.

A personagem “ressuscitaria” em 1989 pelas mãos de Marv Wolfman e George Peréz, porém não mais como Batgirl e sim como Labareda ou Pássaro Flamejante (no original, Flamebird) Nesta nova origem, na qual a grafia do nome da personagem foi mudada para Bette Kane, ela nunca teria sido a Batgirl anteriormente.

A Batgirl “canônica” e mais conhecida, portanto, surgiria em 1966.  William Dozier, produtor do seriado televisivo do Batman (aquele famoso, estrelado por Adam West), queria que o público feminino (em especial as meninas e adolescentes) tivesse alguém em quem se espelhar na série, que basicamente só tinha uma mulher forte vilãs, a Mulher-Gato). Assim, ele pediu à DC que criasse uma contraparte feminina para o Homem-Morcego.

O editor Julius Schwartz desenvolveu a ideia, Carmine Infantino ficou com os desenhos e Gardner Fox, com os roteiros. Assim surgiu Bárbara Gordon, bibliotecária e filha do comissário de polícia da cidade, que nos quadrinhos começa a ajudar no combate ao crime meio “sem querer”: ela faz uma fantasia de Batman para usar em uma festa e acaba auxiliando na resolução de um crime a caminho do encontro.

A primeira HQ da moça foi publicada na revista Detective Comics 359, lançada em 31 de dezembro de 1966. Na TV a estreia foi no primeiro episódio da terceira temporada de Batman, só em setembro de 1967, no qual  Bárbara Gordon foi vivida pela atriz Yvonne Craig.

Nos gibis, Bárbara Gordon é a Batgirl mais longeva e tem a carreira de heroína dividida em duas fases. A primeira foi de 1966 a 1988, ano em que – após ter sido baleada pelo Coringa e ter ficado aleijada (na famosa HQ A Piada Mortal) abandonou o uniforme para se tornar Oráculo, codinome que ela mesma se deu ao assumir a responsabilidade pela comunicação, pesquisa e logística de Batman e outros heróis associados a ele.

Até os anos 2000, Babs permaneceria como Oráculo e outras personagens se vestiriam de Batgirl. A partir de 2011 se inicia a nova de Barbara como Batgirl (ainda que uma ou outra história tenha sido publicada já com a moça no uniforme antes disso), oficialmente a partir do reboot de “Os Novos 52”.

Nesta série ela voltaria a andar e reassumiria o manto em definitivo, e também, numa atualização de traço e argumento, passou a ser um pouco mais jovem do que era antes. A mudança foi mantida nos reboots posteriores da DC ainda que em algumas ocasiões a personagem volte a atuar como Oráculo, em especial quando está se recuperando de alguma lesão que a impeça de agir fisicamente como Batgirl.

Nas telas, Bárbara Gordon apareceu também no filme Batman & Robin (Alicia Silverstone interpretou a heroína no longa, de 1997) e no seriado Birds of Prey (Dina Meyer interpretou Bárbara/Oráculo).

Um filme solo estava previsto para ser lançado, com a atriz Leslie Grace no papel principal, mas foi cancelado em 2022 por determinação de James Gunn, que acabara de assumir a responsabilidade pelo universo cinematográfico DC.

Enredo

Barbara Gordon, filha do comissário James Gordon, é uma mulher extremamente inteligente e atlética que decide assumir uma identidade de heroína para ajudar no combate ao crime em Gotham City. Fã do Batman, ela usa um uniforme parecido com o do Homem-Morcego – inicialmente, feito por ela mesma para uma festa a fantasia à qual nunca chegou: ela acaba impedindo um sequestro arquitetado contra Bruce Wayne no caminho e decide aderir ao vigilantismo.

Inicialmente, Barbara foi apresentada como filha biológica de James Gordon, porém no ano de1987, em especial a partir da HQ Batman Ano 1, de Frank Miller, ela se tornaria filha adotiva, uma vez que naquela história aparecia um bebê do sexo masculino, James Junior, como primeiro filho do policial.

Este menino, também chamado de JJ Gordon,  acabou sendo transformado futuramente em um serial killer por argumentistas da DC, contudo o personagem já foi descontinuado – transformando Barbara em filha única e biológica novamente – e retomado pelo menos uma vez.

Assim, nas versões em que ela é filha única, ela tem o mesmo nome da mãe, que não é uma figura presente, e nas que é filha adotiva é sobrinha de Gordon e o fato de ter o mesmo nome da esposa dele é aleatório.

Independentemente do fato, Barbara cresceu com James Gordon, a quem idolatra e de quem cuida. Nas HQs iniciais, ela era formada em Biblioteconomia e especializada em textos policiais, razão pela qual trabalhava como bibliotecária da polícia de Gotham. Barbara também é especialista em artes marciais, extremamente atlética, tem um QI altíssimo, entende tudo de informática e telecomunicações, e uma memória sobre-humana.

Em HQs dos anos de 1970 ela chegou a concorrer para o congresso americano e, na década de 1980, tornou-se uma heroína mais independente, indo além das parcerias com Batman e Robin. Diga-se de passagem, ela é apaixonada pelo menino -prodígio Dick Grayson, que futuramente se tornaria o Asa Noturna. O relacionamento de ambos é bastante conturbado e eles já desataram e reataram diversas vezes.

Em 1988, Barbara Gordon é baleada pelo o Coringa dentro da casa do pai dela, que é sequestrado pelo maníaco (na HQ A Piada Mortal). Após os eventos desta história, ela fica aleijada e assume o codinome de Oráculo.

Cercada por computadores de alta tecnologia, Barbara passa a atuar como suporte de informação, comunicação e logística de Batman e companhia limitada. Posteriormente amplia a atuação para atender outros heróis e até assume a liderança de um grupo de mulheres heroínas, as Aves de Rapina (Birds of Prey).

 

Enquanto Barbara dependia de uma cadeira de rodas para se mover, quatro outras personagens assumiram o manto de Batgirl . Ele foi utilizado por:

Cassandra Cain (pela primeira vez em 1999, e em outras ocasiões em anos posteriores), que não sabe falar e é filha de um assassino;

Helena Bertinelli, a Caçadora (também em 1999, por um período curtíssimo até ser retirada do cargo por Batman);

Charlotte “Charlie” Gage-Radcliffe (em 2006/2007), uma mutante que também ficou pouco e depois assumiu o nome de Misfit;

Stephanie Brown, a Saltedora, vigilante e ex-namorada do Robin Tim Drake (de 2009 a meados de 2011).

Em 2011, o reboot “Os Novos 52” transforma Barbara em uma mulher mais jovem, ainda na faculdade, porém sem apagar os eventos de A Piada Mortal. Contudo, nesta versão ela recuperou os movimentos e retomou a atuação como Batgirl, apesar de inicialmente ainda ser vítima de estresse pós-traumático e “culpa de sobrevivente”, já que ela muitas vezes não entende porque ela voltou a ter controle de todo o corpo enquanto outras pessoas que conheceu continuam paraplégicas.

Importante destacar que, a partir deste ponto, Barbara Gordon passou a atual tanto como Batgirl como Oráculo. O “cargo” que assumiu no período em que estava na cadeira de rodas é retomado sempre que outros personagens precisam destas habilidades da garota, bem como quando ela está se recuperando de algum ferimento ou lesão decorrente das aventuras como Batgirl.

 Principais Personagens

Comissário James “Jim” Gordon- O pai de Barbara ama muito a filha e se preocupa com a garota. Em algumas HQs ele não sabe que ela é a Batgirl – ou diz não saber, já que, em uma das que conta para ela que há muito tempo sabe da identidade dupla da filha, diz: “Que espécie de policial eu seria se vivesse com Batgirl e não descobrisse isso?”

James Gordon Júnior (JJ) – Ainda que seja descontinuado constantemente, o irmão de Barbara foi um oponente e ameaça constante à ela em muitas histórias. Altamente inteligente, este psicopata/serial killer já chegou a drogar Barbara e entregá-la ao Coringa.

Dick Grayson – seja como Robin ou Asa Noturna, ele é um grande amigo de Barbara e, em algumas histórias, namorado/interesse amoroso dela.

Canário Negro, Cassandra Cain, Big Barda, Caçadora, Rapina e Columba,  e outras/outros integrantes das Aves de Rapina, grupo criado e liderado por Bárbara como Oráculo.

Batman e todos os heróis e vilões do universo do Homem-Morcego também são personagens nas HQs de Barbara Gordon/Batgirl.

Curiosidade: bat-peladona

Em 2009, ano em que Barbara Gordon ainda não havia voltado a oficialmente ocupar o cargo de Batgirl, uma história escrita por Fabian Nicieza e ilustrada por Kevin Maguire chamou a atenção e até gerou certa polêmica. Em The Cat and the Bat, Barbara Gordon/Batgirl está perseguindo a criminosa Selina Kyle/Mulher-Gato.  Tentando despistar Babs, a vilã entra em um certo “clube de entretenimento nudista.”

Acontece que tanto a gata em fuga quanto a morcega que a persegue são obrigadas a tirar a roupa se quiserem entrar o local. Assim, se seguem cenas de fuga e luta com as personagens nuas, mas, claro, sempre com determinadas áreas do corpo estrategicamente cobertas por elementos do cenário.

Mesmo assim, uma mãe que comprou a revista para o filho de 12 anos nos Estados Unidos na época chegou a liderar um movimento contra a HQ, que classificou como pornográfica…

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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