Desde que apareceu pela primeira vez, em 1986 (no game The Legend of Zelda), o garoto Link já se mostrou um personagem apaixonante. Quase quatro décadas e cerca de vinte jogos depois, o protagonista da série da Nintendo continua impressionando a cada novo game, como comprovam os mais recentes deles.
Em Breath of the Wild, lançado para o console Switch em 2017, o usuário praticamente não tinha limites para controlar Rinku (pra quem preferir chamá-lo pelo nome original japonês). Com mais de 25 milhões de cópias vendidas, BoW (como é mais conhecido) quebrou inúmeros paradigmas de jogabilidade dos games e se tornou a marca a ser superada por qualquer bom jogo que se preze.

E claro que a sequência, Tears of the Kingdom, fez isso não só mantendo a jogabilidade extrema como aumentando o mundo do jogo e possibilitando que o usuário construa veículos usando a criatividade – de foguetes a ventiladores -e ainda tenha poderes novos que possibilitam inclusive fundir veículos e equipamentos. O game vendeu 10 milhões de cópias nos primeiros três dias e já tinha ultrapassado 22 milhões no primeiro semestre de 2025.
Mas se nos games o herói é irretocável, em outras mídias não dá pra se afirmar o mesmo. Que o diga o belo Zelda: Oracle of Seasons/Oracle of Ages Perfect Edition, uma edição especial lançada no Brasil pelo selo Planet Mangá ( R$ 29,90).
O “tijolão” de 408 páginas chama a atenção pela beleza da capa e traz até um marcador com o símbolo da Triforce, mas, apesar dos desenhos caprichados, o roteiro é – para dizer o mínimo – confuso.
Vale lembrar que este é um de cinco livros baseados em jogos de Zelda lançados pela Panini por aqui. O primeiro foi Ocarina of Time e este segundo se inspirou nos dois jogos de gameboy citados no título da HQ.

Resumidamente, vale lembrar os games de Zelda: Oracle of Seasons/Oracle of Ages Perfect Edition. Ambos tem um início parecido, com Link indo ao santuário da Triforce e sendo transportado para um outro mundo (Labrynna em Oracle of Ages; e Holodrum em Oracle of Seasons). Em Ages, o herói conhece e faz amizade com Nayru, uma cantora; e em Seasons com Din, uma dançarina.
Em Labrynna, Link viaja no tempo usando a Harpa das Eras para salvar a terra da Feiticeira da Sombra, Veran. Já em Holodrum, usa o Cetro das Estações para acabar com as ambições do General das Trevas, Onox.

Depois que completa um dos jogos, o usuário obtém uma senha para começar um novo no qual, ao final, uma missão final secreta pode ser acessada e é preciso derrotar as bruxas Koume e Kutaque, que aparentemente estavam por trás dos vilões iniciais em um plano para ressuscitar o vilão-mor Ganon, que será o último chefe de fase a ser derrotado.

Todos esses elementos aparecem nas histórias em quadrinhos da edição, bem como os diversos personagens, e talvez seja esse o pecado do autor Akira Himekawa.
A história parece ter a obrigação de mostrar tudo o que se viu nos games e, ao fazer isso, acaba sem aprofundar nenhum personagem. A sensação é que os eventos que se sucedem nem sempre tem uma grande ligação entre si, estão ali de maneira forçada.

Não que não haja boas sequências de ação e humor, mas, apenas para ficar em um exemplo, em Oracle of Seasons a introdução dos animais falantes Pyoko, o canguru Ricky e o pinguim Blaino em determinado ponto da história destoa totalmente da aventura que vinha ocorrendo até então…
Resumindo, a beleza da capa e as ilustrações superam em muito os argumentos de ambas as histórias, que acabaram parecendo meio forçadas. Oracle of Seasons/Oracle of Ages Perfect Edition parece ter sido elaborada mais como um item de coleção para vender aos fãs do que um mangá que vale a pena ser lido. Pena.

Série animada tosca
Em tempo, Link também não fez muito sucesso como desenho animado. A série The Legend of Zelda foi lançada para TV em 1989, na esteira do sucesso do primeiro game, e teve apenas uma temporada de treze episódios (no Brasil, os desenhos foram exibidos a partir de 1992, originalmente no Xou da Xuxa, com o nome de “Zelda”).

A animação tinha traço um tanto quanto tosco e um Link de cabelos escuros, meio preguiçoso e com senso de humor duvidoso. Contratado pela princesa Zelda para defender a “Força Tripla” (sim, traduziram o nome Triforce) do exército de Ganon, o herói metendo Zelda em situações complicadas e embaraçosas – a ponto de uma das frases mais conhecidas dele no desenho ser “Desculpe aí, princesa / Excuuuuse me, princess.”
Zelda, por sua vez, era mais ativa e dividia com Link o protagonismo da série, que ainda tinha uma fada (Spryte) apaixonada por Link e que achava a princesa “uma esnobe”. E, bem ao estilo dos anos 80, o desenho trazia várias frases “de lições de moral” ditas pela Triforce da Sabedoria durante os episódios, geralmente de forma rimada. As músicas do primeiro game também eram amplamente usadas no desenho.

Nos dias de hoje, (felizmente) muitos fãs de Link nem se lembram do desenho animado, enquanto outros usam cenas dele como memes ou o colocam na lista de “desenhos horríveis da minha infância que aprendi a amar”.
Enfim, Link é, sem dúvida alguma, um dos maiores e melhores personagens de videogame já criados. Mas, pelo visto, até segunda ordem é melhor ficar mesmo só nos jogos…





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