Tudum! Netflix compra Warner e leva os super-heróis da DC…e também Harry Potter, GOT, TBBT e muito mais

A cifra é astronômica: US$ 70 bilhões é o que a Netflix desembolsou para comprar a Warner Bros “de porteira fechada”. Somando a esse montante a dívida da WB que será assumida pelo serviço de streaming, o volume chega a cerca de 83 bilhões de dólares. Os valores são tão gigantescos quanto o novo conglomerado que se forma, já que agora a Netflix irá incorporar um patrimônio que reúne canais de televisão, estúdios de cinema e plataformas de streaming (entre as quais a HBO) e – eis aqui o ponto que mais interessa aos fãs da cultura pop – boa parte dos filmes e seriados mais bem sucedidos nas telonas e nas telinhas do mundo inteiro.

Apesar de todo o barulho causado pela notícia, inda é preciso esperar um tempo razoável para saber o que irá acontecer com a absorção, até porque para se consolidar ela terá que esperar a divisão da Warner Bros. e da Discovery Global. Prevista para acontecer no terceiro trimestre de 2026, a chamada Global Networks (composta pelos canais de televisão CNN, TNT Sports nos EUA e Discovery) se tornará uma empresa separada. E ainda é preciso haver a liberação de agências liberadoras dos EUA, comum a casos de grandes fusões de uma mesma área.

A informação principal, porém, é que a Netflix agora terá à disposição de seu catálogo tudo o que hoje é da Warner, ou seja, em breve será possível assistir no mesmo streaming tanto a Wandinha quanto a Harry Potter…ou não?

O que se pode afirmar por enquanto é que, de fato, as grandes franquias em vídeo agora são mesmo do canal de streaming, entre elas a do mago inglês, tudo o que é relacionado aos super-heróis da DC Comics e desenhos como Looney Toones, além de séries blockbuster como Game of Thrones, Friends, The Big Bang Theory, Sex and the City e por aí vai. Para não mencionar uma enormidade de filmes que incluem desde clássicos antigos como Juventude Transviada ao campeão de bilheteria nos cinemas de 2023, Barbie. Traduzindo: todo o portfpolio da WB, incluindo marcas e direitos autorais até de títulos de videogames, agora é Netflix.

A questão é o que será feito com tudo isso. Será que tudo será disponibilizado na Netflix ou a empresa de streaming manterá, por exemplo, um canal de assinaturas HBO, com preços diferenciados? Aliás, se decidir concentrar tudo no mesmo serviço de streaming, haverá aumento no valor dos produtos? E quanto às produções? Haverá o mesmo investimento e requinte da HBO, por exemplo? Alguma será interrompida? E os futuros filmes do universo DC? E os lançamentos em cinema, serão afetados, passando a ser apenas no streaming ou rapidamente migrando para eles?


Por enquanto há muitas perguntas e poucas respostas.

De prático, a Netflix emitiu um comunicado aos assinantes da HBO:
“Anunciamos recentemente que a Netflix irá adquirir a Warner Bros., incluindo seus estúdios de cinema e televisão, HBO Max e HBO. Isso une nosso serviço de entretenimento líder com as histórias icônicas da Warner Bros., reunindo algumas das franquias mais amadas do mundo, como Harry Potter, Friends, The Big Bang Theory, Casablanca, Game of Thrones e o Universo DC, juntamente com Stranger Things, Wandinha, Round 6, Bridgerton e Guerreiras do K-Pop. Nada muda hoje. Os dois serviços de streaming continuarão operando separadamente. Ainda temos etapas a concluir antes da finalização do negócio, incluindo aprovações regulatórias e dos acionistas. Entraremos em contato assim que tivermos mais novidades. Enquanto isso, esperamos que você continue aproveitando para assistir o quanto quiser, quando quiser, tudo dentro do seu plano de assinatura atual”

Traduzindo: por enquanto tudo continua igual, o que é óbvio já que o negócio não está oficialmente concluído. Depois que isso ocorrer, veremos.

Outro comunicado da empresa, porém, deve trazer mais alívio à indústria cinematográfica: ela garante que manterá a estratégia de lançamentos cinematográficos para longas desenvolvidos pelos estúdios. Segundo a nota oficial, a intenção da Netflix é preservar o modelo híbrido que a Warner já adotava, ou seja, apostar em grandes estreias nos cinemas e só depois de encerrada a “vida útil” dos filmes é que haverá a migração para o streaming.

É claro que, no sentido contrário, também já se pergunta se a própria Netflix lançara alguns de seus sucessos nos cinemas. Vale lembrar que o mega hit Guerreiras do K-Pop, por exemplo, chegou a ser exibido em versão sing along em alguns, mas será que com a estrutura da Warner a já esperada continuação não faria uma estreia direta nos cinemas para depois ir para a plataforma Netflix?

Enfim, como ocorre nestas grandes junções, especulações não faltam nem faltarão até que chegue o terceiro semestre do ano que vem, para que de fato tudo se consolide e a prática separe o joio do trigo. Até lá não faltarão previsões…

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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