Já ouviu aquela propaganda do rádio que diz que não é fácil ser mulher, profissional, trabalhar o dia inteiro, cuidar da família, da casa e ainda ser linda, inteligente e… magra!? Bem, no século 16 Gráinne O´Malley já enfrentava tudo isso.
E olha que na maior parte da vida a profissão da moça foi a pirataria: isso, sim, é vencer em um ambiente de trabalho tipicamente masculino! Não foi à toa que esta irlandesa tornou-se uma verdadeira lenda em seu país natal e, em 2013, uma bela Graphic Novel. O mais curioso, porém, é que a HQ – que recebeu o prêmio de melhor obra infantil do ano naquele país – foi inteiramente produzida no Brasil, pela dupla de quadrinistas Gisela Pizzato e Bruno Büll.


“Foi muito legal trabalhar com esse editor. Praticamente tudo que propusemos foi aceito, poucas coisas tiveram de ser cortadas ou mudadas. A história sempre me encantou, eu adoro histórias de piratas e Grace foi a primeira mulher pirata da história! Eu já tinha escrito essa história em formato de conto há mais de 10 anos e, conversando com o Bruno, achamos que ia ser bem legal fazer o trabalho em quadrinhos, aí montei o story board e a coisa foi acontecendo”, relembra.


Bruno Büll conta que, artisticamente, também teve bastante liberdade para compor o visual da história e da personagem. “Eu e a Gisela conversamos bastante sobre que estilo gostaríamos de seguir, e todo o lance de eu trabalhar bastante com hachuras, linhas finas, pouco preto, pra ela ficar bem livre na hora de pintar também. As minhas conversas com o editor foram, em sua maioria, justamente pra acertar todas as referências geográficas, de vestimenta, de construções, pra ficar fiel à época e ao local. O visual da Gráinne foi, primeiramente, pensado pela Gi mesmo. Se foi uma autoreferência, é ela que pode te responder”, brinca o desenhista, referindo-se aos cabelos ruivos da colega, e completa: “É o visual que acaba aparecendo mais se você faz uma pesquisa do nome dela no Google, por exemplo. Talvez tenha a ver com o arquétipo do irlandês mesmo.”

A dupla brasileira conta que todo o processo foi muito bom em termos de aprendizado e diversão, ainda que – ao menos pelos lados de Büll – houve uma certa dificuldade em lidar com o tempo e pegar ritmo pra produzir, já que a obra foi o primeiro trabalho grande de quadrinhos de ambos e nenhum deles fez isso exclusivamente durante toda a produção. “E a parte de pesquisa de referências foi bem difícil em alguns momentos. Um ou dois castelos que aparecem na história, por exemplo, foram destruídos há séculos, não existem fotografias e achar desenhos e pinturas da época que ajudassem na reprodução levou um bom tempo.”





Comentar