Criada nos quadrinhos em 1964, a mágica Zatanna é mais conhecida pelas meias arrastão e corpete preto que usa quando está no palco praticando o ofício de ilusionista, bem como por fazer magia falando as frases e palavras de trás para a frente (o que muitas vezes irrita os leitores). Integrante de grupos como a Sociedade da Justiça e da Liga da Justiça Sombria, Zatanna também apareceu em diversas animações ao lado dos medalhões da DC, bem como em quadrinhos mais específicos que se tornaram cult, como a série Os Livros da Magia (aquela que JK Rowlling teria plagiado para escrever Harry Potter).
Ainda assim, apesar da longevidade nos gibis, a moça nunca foi muito mais que uma personagem secundária agradável de se ver, daquelas que os leitores nunca se lembram de uma história solo marcante. Ou não se lembravam, até que Zatanna: Quebrando Tudo (Zatanna brongs down the house) foi lançada nos EUA no ano passado, reinventando a origem da personagem criada originalmente por Gardner Fox (roteiro) e Murphy Anderson (desenhos) em uma Graphic Novel tão bem feita que conquistou o Prêmio Eisner 2025, o Oscar dos Quadrinhos, na categoria de melhor minissérie. A versão brasileira da obra, reunindo os cinco fascículos estadunidenses em um único volume, foi lançada recentemente pela Panini (176 páginas, R$ 57,90) pelo selo Black Label – indicado para maiores de 16 anos – e merece ser lida.

Com argumento de Mariko Tamaki e arte maravilhosa (com uma pegada adequadamente meio psicodélica, meio art déco) de Javier Rodríguez, a HQ começa mostrando uma memória bloqueada da criança Zatanna fazendo truques com os amigos e sendo alvo de zombaria de um deles quando as coisas não saem como deveriam.

Essa lembrança é entrecortada com a vida atual dela, trabalhando em um cassino de segunda categoria em Las Vegas. Na medida em que a história se desenvolve, fica claro que alguma coisa deu terrivelmente errado quando a pequena Zatanna tentou usar a magia, o que a levou a relegar os próprios poderes e se dedicar a uma carreira de truques, escondida em um lugar decadente. Mas, se Zatanna abandonou a magia, a magia não abandonará Zatanna.

Coisa estranhas começam a acontecer e ela terá que superar – à força – os próprios traumas para sobreviver a demônios e cataclismas diversos, e ainda descobrir porque alguém está afirmando que ela é a responsável pela morte do próprio pai, o mago Giovanni Zatara.

Toda a história se passa no universo DC tradicional, assim há conexão (por meio de menções ou aparições) com – por exemplo – a Liga da Justiça e o Superman. E, de brinde para quem gosta do universo mágico da DC, participação do mago mais canalha e charmoso de todos, John Constantine. A série mostra como Zatanna o conheceu e o primeiro romance entre os dois.

Inteligente e ousada como a própria personagem título, Zatanna: Quebrando Tudo mostra que, com bons roteiros, a irreverente mágica da DC poderia ser muito mais bem explorada nas HQs tradicionais da editora. E até mesmo deixar de ser uma secundária e protagonizar mais histórias. Acif a adicrot. Meuq ebas?





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