Quem é o melhor Coringa?

É claro que ninguém pode dar vida ao Coringa sem ser comparado com quem já o fez. O melhor Coringa das telonas (e telinhas) seria quem, então?

Começando de baixo para cima, definitivamente em último lugar está o “incompreendido” Jared Letto, que em 2016 fez uma estranha e insípida criatura híbrida rapper-gangsta em Esquadrão Suicida.  Não agradou, não disse a que veio e, sinceramente, a bela e inteligente Arlequina estaria melhor sem ele, assim como os espectadores…

Muito antes dele, em 1966, o primeiro ator a interpretar The Joker foi César Romero, no seriado de TV que tinha o “gordinho” Adam West como Batman e Burt Ward como Robin. Em uma época em que a dupla fugia de armadilhas estrambóticas e o Homem-Morcego levava um bat-spray-antitubarão no cinto de utilidades, esse Coringa não podia ser levado muito à sério.

Era mesmo um palhaço do crime e Romero – com seu precioso bigode coberto por maquiagem branca – fazia bem seu papel, porém esse Coringa cai na categoria cômica. Fica com uma  menção honrosa, mas na disputa é meio café com leite pra ser classificado…

Já no filme de Batman dirigido por Tim Burton em 1989, Jack Nicholson roubou a cena como Coringa. Não só porque, convenhamos, Michael Keaton não era lá uma grande escolha como Homem-Morcego como também pelas roupas espalhafatosas (a la Cesar Romero) misturadas com frases de um humor sinistro e ataques de violência.  

Tudo isso com o carisma e o olhar “Iluminado” de Nicholson, cujas frases no filme ainda são lembradas.  “You ever dance with the devil in the pale moonlight?” e “Where does he get those wonderful toys?”, por exemplo, deixaram sua marca na história. 

E, vale lembrar, a queda no ácido que gerou o visual de Coringa foi inspirada no clássico Piada Mortal. Com certeza está entre os melhores Coringas, mas não entre os dois primeiros. Medalha de bronze.

O padrão ouro, definitivamente, foi estabelecido em 2008 pelo falecido Heath Ledger, que levou um Oscar póstumo merecidamente pelo papel em O Cavaleiro das Trevas. Um Coringa perturbador, perigoso, esquizofrênico, psicopata ao extremo – e também com frases engraçadas em um contexto de humor negro (“Why so serious?”). 

Se Batman sempre representou a ordem, Ledger trouxe ao mundo a antítese perfeita: o Coringa dele era caos e maldade, pura e simplesmente. 

Joaquin Phoenix se encaixa dentro deste último padrão, com uma interpretação irretocável e monstruosa, também dando vida a um personagem caótico em Joker (2019). Há quem diga que não dá para comparar ambos, até porque Phoenix mostra a origem do personagem, enquanto Ledger já fez um Coringa pronto e em plena loucura.

Difícil dizer que um é melhor que o outro, mas com certeza ambos estão em um patamar semelhante: o alto do pódio talvez dependa mais do gosto do espectador.

Talvez o leitor esteja estranhando nesta lista a ausência de Cameron Monaghan , que interpreta Jerome /Jeremiah Valeska em Gotham (2014-2019). O ator faz um trabalho excepcional e provavelmente seria um bom concorrente na disputa, mas há um problema: apesar de qualquer pessoa que assista ao seriado achar que ele é a versão de Joker no seriado (ainda mais depois do salto de dez anos da última temporada),  os produtores da série insistem que ele não é.

Valeska seria algum tipo de precursor do personagem, algo muito estranho se considerarmos que todos os outros vilões da mitologia do Morcego estão ali (Pinguim, Charada, Duas Caras, Salomon Grundy e tantos outros). Porém, compreensível se acreditarmos nos boatos de que há um problema de direitos autorais/contratuais que impedem o uso explícito do Coringa em Gotham. Em virtude do vai não vai, Cameron Monaghan não entra no ranking.

Por fim, também não foram consideradas as atuações virtuais, ou seja, a dublagem em animações. Com isso, não entraram na competição Zach Galafianakis, que faz o vilão na animação The Lego Batman Movie nem o eterno jedi Mark Hammil, que dá voz e alma ao Coringa em diversos desenhos animados.

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Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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