Mangá dos Super Campeões, ou melhor, Capitão Tsubasa chega ao Brasil em julho

Seria um bom sinal? No mesmo dia em que o técnico Carlo Ancelotti anunciou os convocados para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 (com a presença de Neymar, para felicidade de muitos e indignação de outros tantos), a Panini confirmou que chegará às bancas brasileiras um dos maiores mangás de futebol de todos os tempos: Os Super Campeões! Ou melhor dizendo, Capitão Tsubasa (Captain Tsubasa), nome verdadeiro nome da obra cuja versão animada empolgou – e talvez ainda empolgue – milhares de fãs que assistiram alguma de suas versões na Rede Manchete, Cartoon Network, Rede TV!, Cartoon Network, Crunchyroll, Amazon Prime…

Se opções para ver o anime não faltam, essa será a primeira vez que a versão mangá chega ao Brasil. Mais especificamente, a Panini irá publicar a primeira fase das HQs japonesas, lançada originalmente em 37 volumes pelo autor Yoichi Takahashi. Por aqui, serão 21 volumes, já em pré-venda no site da editora.

Apaixonado por futebol desde que assistiu a Copa de 1978 na Argentina, a primeira vencida pelo time da casa, Takahashi era obcecado com a ideia de escrever e desenhar um mangá sobre o tema. Assim surgiu – em 1981 – Oozora Tsubasa (cujo primeiro nome foi mudado para “Oliver” no Brasil e em outros países do Ocidente). Após ser salvo da morte ao ser atropelado por um ônibus graças a uma bola de futebol, quando ainda tinha um ano, a mãe do menino vê aquilo como um sinal de que ele é destinado a jogar.

A partir dali, o garoto se torna inseparável da bola, vice jogando e treinando, e ainda muto criança desenvolve uma habilidade incrível no esporte, com velocidade e resistência espantosas, dribles desconcertantes e chutes potentes.

Quando se muda com a família para uma cidade pequena, um amigo do pai (que é capitão de navio), vem morar com eles. Trata-se de um ex-craque brasileiro que fazia um tratamento para visão no Japão, Roberto Hongo – personagem que, dizem, foi inspirado no lendário craque brasileiro Sócrates, mas que nos animes por aqui ganhou nome de Roberto Maravilha, em uma clara alusão a Túlio Maravilha, que fazia sucesso na época.

Roberto ajuda o menino a lapidar suas habilidades e o convence a entrar para o time da escola Nankatsu. Além de rapidamente se destacar nos treinos, ele fica amigo de Taro Misaki (Tom ou Carlos Misaki nos desenhos por aqui, a depender da dublagem). Cabe um parêntese aqui: a dupla, no futuro, se tornará um dos ataques mais eficientes da história do futebol, em especial com o “tiro duplo”, no qual os dois chutam uma bola ao mesmo tempo gerando uma força quase imparável.

Também ali ele vai conhecer a líder de torcida Sanae (Néia, no Brasil), com quem inicialmente vive uma relação conflitante e que irá se desenvolver para um relacionamento amoroso.

Então para a surpresa de muita gente, o Nankatsu acaba derrotando a forte equipe do Shutetsu FC, que tem entre os destaques o goleiro Genzo Wakabayashi – no Brasil rebatizado de (argh) Benji.

Roberto, então, passa a treinar a equipe e a ensinar jogadas “excepcionais” como gols de trivela e bicicleta, e a partir daí são mostrados diversos confrontos (acredite) entusiasmantes nas páginas do mangá. Que como todo mangá que se preze mistura esporte com fantasia ara criar os jogadores mais loucos, como os gêmeos que jogam fazendo acrobacias, um goleiro que usa golpes de caratê na defesa ou um atacante que tem um petardo imparável porque cresceu treinando com bolas pesadíssimas que chutava contra ondas imensas do mar.

Há ainda histórias tocantes, como aquele em que Tsubasa enfrenta o capitão da equipe Musashi, Jun Misugi, um atleta genial e extremamente talentoso, mas que esconde um segredo: tem um problema cardíaco e por isso não pode jogar partidas inteiras. Mas que, ao ver que pode perder para Tsubasa, resolve arriscar tudo…

Importante destacar que essa primeira fase do mangá se inicia com Tsubasa criança e passa por campeonatos escolares no Japão, terminando com os meninos competindo (e conquistando) Torneio Internacional de Futebol SUB16, na França.

Jogador do São Paulo

A série trazida pela Panini é apenas a primeira da franquia idealizada por Yoichi Takahashi, que praticamente só desenhou esse único título até se aposentar em 2024 aos 63 anos – dos quais mais de 40 foram dedicados a Capitão Tsubasa.

Em 1985, no spin-off Captain Tsubasa: Yume no Brazil Pro-Debut no Maki (Capitão Tsubasa: O Capítulo do Sonho de Estreia Profissional no Brasil), o protagonista acaba se tornando, sob a batuta de Roberto Hongo, lateral do São Paulo Futebol Clube!!!

 

Aqui cabe um parêntese, a escolha do time paulistano não foi nada aleatória: fã verdadeiro de futebol, o autor Yoichi Takahashi teve mais de uma inspiração para criar o protagonista da série. Uma delas, contudo, foi o lateral japonês Musashi Mizushima, que realmente jogou no São Paulo de 1975 a 1985.

De volta ao mangá, Tsubasa, então com 17 anos, se torna sucesso absoluto no futebol brasileiro e lidera a equipe para o título da série A, após vencer a final contra o Flamengo em pleno Maracanã.

Em paralelo, colegas de escola do protagonista também seguem carreira internacional: Misaki está na França (no Bordeaux) e “Benji” Wakabayashi na Alemanha (disputando a Bundesliga).

Em 1994 veio a segunda série de Capitão Tsubasa, com 18 volumes: World Youth Hen (algo como “Arco do Mundial da Juventude”). Nele, o protagonista volta do Brasil e se une à seleção japonesa juvenil, que se classifica para o Campeonato Mundial Juvenil da FIFA.

Os leitores acompanham então jogos fantásticos contra México, Uruguai e Itália (primeira fase), Suécia (quartas) e Holanda (semi). A final, claro, é contra o time favorito para ser campeão: o Brasil.

Contudo, os japoneses levantam a taça na prorrogação, vencendo por 3 a 2 com hat-trick de Tsubasa – do lado brasileiro, grande destaque para um atleta chamado Natureza (!!!), um dos poucos capazes de marcar gol à distância na meta defendida pelo goleiro “Benji” Wakabayashi. Natureza à parte, confira a escalação acima e veja se acha futebolistas “conhecidos.”

Barcelona e vida de casado

A partir de 2001, veio Road to 2002, arco de 15 volumes que se inicia com o Capitão Tsubasa mudando para a Espanha, se casamdo com Sanae, e começando a jogar pelo Barcelona!

De início, porém, ele não tem lugar na equipe que é comandada por um atleta inspirado por um jogador brasileiro bem fácil de identificar pelo nome: Rivaul.

As histórias também se descolam do herói para acompanhar a carreira de vários outros jogadores colegas dele, como Hyuga (Juventus), Wakabayashi (Hamburgo) e itros que permaneceram disputando a J Legue.

De volta à Espanha, Tsubasa vê da tribuna a estreia do Barça na La Liga, com Rivaul(do) comandando a equipe.  O protagonista vive com o craque uma relação que mistura mentoria e rivalidade, mas quando o titular se machuca ele entra e esmerilha, com 12 gols e 11 assistências em três partidas e, a cereja do bolo, vencendo o Real Madrid no Superclásico.

Em tempo, o nome do arco se refere a então proximidade da Copa do Mundo de 2002, que teve o Japão como uma das sedes (ao lado da Coréia do Sul) e o mangá pegou carona na hype.

Rumo às Olimpíadas

De 2005 a 2008, um novo arco: Golden 23, com 14 volumes  focados na Seleção de Futebol Japonesa focando nos Jogos Olímpicos. Inicialmente sem a presença dos atletas de carreira internacional e liderado por Misaki, o selecionado SUB22 luta para conquistar uma vaga nos Jogos Olímpicos. Em paralelo, o Capitão Tsubasa é agora capitão do Barcelona e conquista novas vitórias na La Liga.

 

Em 2009 teve novo spin off: Captain Tsubasa: Kaigai Gekito Hen in Calcio. O foco, porém, não é no protagonista e sim em dois outros atletas, Kojiro Hyuga e Shingo Aoi, que jogam profissionalmente na Itália e ralam para subir da série C para a B.

E no ano seguinte, celebrando os 30 anos da franquia, veio Kaigai Gekito Hen en La Liga (também chamado de Endless Dream), com 58 capítulos inicialmente publicados na Weekly Young Jump e posteriormente unidos em dois volumes. O enredo gira em torno do confronto entre Tsubasa e Natureza no segundo Superclasico dos dois pela La Liga.

Por fim, de 2014 a 2024 veio Rising Sun, trazendo a jornada de Tsubasa e demais boleiros japoneses disputando o Ouro nas Olimpíadas de Madrid. Ufa!

Importante: se você acha que esse texto entregou spoilers demais, cabe aqui dois argumentos: o primeiro é que é difícil falar em spoiler quando se trata de uma obra encerrada há mais de 30 anos e com várias versões de anime que já passaram no Brasil. O segundo é que, acredite, essa é basicamente a sinopse: o que torna Capitão Tsubasa não é a descrição do enredo, mas a riqueza de cada personagem, os pequenos dramas cotidianos vividos por eles e a criatividade do autor ao inventar as partidas que deixam o leitor – mesmo aquele que sequer gosta de futebol – vidrado em cada lance desenhado. Vale muito à pena.

Animes

A primeira animação de Capitão Tsubasa saiu de 1983 a 1986, em 128 capítulos inéditos no Brasil, basicamente mostrando o arco inicial dos mangás (aqueles 37 volumes publicados a partir de 1981). Esse primeiro anime nunca foi exibido no Brasil.

Em 1989/1990 veio uma minissérie em formato OVA (Original Video Animation, filmes que eram lançados direto nas antigas locadoras  de vídeo e não em TV aberta) focada no torneio internacional da Seleção Juvenil.

Em 1994, foi produzido um novo anime em versão mais curta (47 episódios) mostrando da infância de Tsubasa até a disputa da Copa SUB16. Esse foi o primeiro desenho lançado no Brasil, pela TV Manchete, com o nome de Super Campeões.

Em 2001 veio a versão anime que uniu os mangás oneshot que se passa no Brasil e Road to 2002.  São 52 episódios mostrando a jornada de Tsubasa se profissionalizando no Brasil e, na sequência, na Europa. Os nomes das equipes e uniformes nesta animação foram trocados, provavelmente para evitar problemas com royalties. Assim, o São Paulo virou Brancos FC e o Barcelona foi rebatizado como Cataluña.

Essa animação passou aqui no Brasil na Cartoon e na Rede TV!, e termina no apito inicial (isso mesmo, inicial) da decisão entre Japão e Brasil na Copa do Mundo Juvenil.

Em 2018 saiu um novo anime, com 52 episódios, chamado apenas Captain Tsubasa. Esse é considerado como a mais fiel adaptação dos mangás, retomando a história desde a infância do protagonista até a classificação do Mundial Juvenil. É ela que pode ser conferida no Crunchyroll e na Amazon Prime.

Por fim, em 2023 – com término em 2024 –  veio Captain Tsubasa: 2nd Season – Junior Youth Arc. Esta animação é a continuação direta do remake de 2018 e foca no desempenho do time do herói no campeonato mundial de categorias de base. Vale registrar ainda que há outros filmes -quatro ou cinco – lançados entre os anos de 1985 e 1994 que trazem histórias paralelas ou versões alternativas dos torneios juvenis.

Ah, sim, também há inúmeros games para diversas plataformas lançados ao longo dos anos (pra Nintendinho, SuperNintendo, DS, Playstation, Nintendo Switch, PS4, PC etc.

Djota Carvalho

Dario Djota Carvalho é jornalista formado na PUC-Campinas, mestre em Educação pela Unicamp, cartunista e apaixonado por quadrinhos. É autor de livros como A educação está no gibi (Papirus Editora) e apresentador do programa MundoHQTV, na Educa TV Campinas. Também atuou uma década como responsável pelo conteúdo da TV Câmara Campinas e é criador do site www.mundohq.com.br

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