Nascida em 19 de junho de 1976, em São Paulo, Adriana Melo nem chegava perto de revistas de super-herói quando criança. Na cabeça da menina paulistana, o gênero era “coisa de menino”. Aos 16 anos, porém, Adriana – que teve aulas de anatomia no durante o Ensino Médio na escola técnica Carlos de Campos – teve que fazer um trabalho para a disciplina de Artes sobre HQs de herói. O ano era 1993 e ela se deparou com A Morte do Superman nas bancas. Ali, tudo mudou.
“Comecei a folhear e pensei: ‘peraí, isso aqui é maravilhoso’. Tem leitura, comédia, romance, um pouco de tudo. E me apaixonei pelo desenho, pelas figuras, pela anatomia dos super-heróis. Eu, que antes só desenhava bonequinhos, lendo me apaixonei e decidi que era aquilo que ia fazer”, relembra.

Adriana conta que pegou a revista e começou a copiar os desenhos, página a página, e a observar não só o traço como as opções dos desenhistas da história para destacar determinados elementos. Em paralelo, a leitura de uma entrevista do brasileiro Roger Cruz, então um dos destaques no mercado de super-heróis estadunidense, consolidou ainda mais a vontade de se envolver no mundo das Graphic Novels.
A jovem passou, então a se dedicar com afinco aos desenhos de herói e, dois anos depois, soube que o próprio Roger Cruz e Marcelo Campos, outro brasileiro que fazia quadrinhos para as editoras estadunidenses, estariam em uma comic-con e levou alguns trabalhos para que eles vissem. Os dois não só gostaram do que viram como colocaram Adriana em contato com o agente deles e assim, aos 18 anos, a artista emplacou o primeiro trabalho profissional como desenhista, ilustrando uma história do Homem-de-Ferro para a Marvel Comics.
Entre os primeiros trabalhos para a Casa das Ideias também vieram participações em HQs do Quarteto Fantástico e do Surfista Prateado, entre outros. A partir de 2004, Adriana Melo também se destacou por uma série de HQs da série Star Wars: Empire que desenhou para a editora Dark Horse.

Em 2006, pela Top Cow, a brasileira passou a desenhar os quadrinhos de Witchblade, nos quais criou, junto com o argumentista Ron Marz, a personagem Danielle Baptiste – que se tornou coprotagonista da detetive Sara Pezzini na série. No ano seguinte houve um crossover unindo o universo Witchblade com o mais iconográfico anti-herói da Marvel, o Justiceiro.

Os desenhos ficaram por conta de Adriana e assim ela se tornou a primeira mulher da história a desenhar o sanguinário Frank Castle, que até então só havia ganhado vida no traço de homens. Pouco depois, em meados de 2009, ela também se tornou a primeira quadrinista mulher a desenhar nas histórias do Homem-Aranha.

Adriana Melo também começou a trabalhar para a DC Comics, na qual desenhou – entre outros – Rose & Thorn, Homem-Borracha, Birds of Prey, Capitã Marvel, Mulher-Gato e sua personagem favorita, a Mulher-Maravilha (as ilustrações da amazona feitas por ela também estão entre as favoritas dos fãs). A partir de 2017, a artista também desenhou diversas edições de Dr. Who, pela editora Titan Comics.

Em 2019, Adriana Melo se tornou a primeira brasileira a ganhar um prêmio Eisner, considerada a maior honraria dos quadrinhos na atualidade, com a coletânea Puerto Rico Strong.
A brasileira dividiu o prêmio com outros artistas e roteiristas que participaram da antologia publicada pela Lion Forge para arrecadar fundos para as vítimas do furacão Maria. Em 2025, a desenhista Bilquis Evely se tornaria a segunda brasileira a ganhar um Eisner.

Em 2024, Adriana Melo ganharia também um dos maiores reconhecimentos dos quadrinhos nacionais. No 39º Troféu Angelo Agostini, ela se tornou uma Mestra do Quadrinho Nacional, título reservado a profissionais da área reconhecidos pela excelência e com no mínimo 25 anos de carreira dedicada ao mundo dos quadrinhos.
Durante a cerimônia de premiação, Adriana – que mora em São Paulo e desenha do estúdio doméstico as artes requisitadas pelas maiores editoras de super-heróis do mundo – falou sobre o fato de trabalhar (até então) praticamente de maneira exclusiva para o mercado exterior. Segundo ela, o fato ocorre puramente por questões de sobrevivência financeira, sem que isso implique em nenhum tipo de esquecimento do Brasil. Pelo contrário.

“Os dois trabalhos que mais me emocionaram até hoje foram uma HQ do Doutor Who que se passava em São Paulo, minha cidade natal, na época colonial, e uma outra da Moça Maravilha Yara Flor na qual ela vinha para o Brasil e o roteirista deixou por minha conta desenhar as cidades brasileiras pelas quais ela passou. Foi maravilhoso desenhar o meu país. Mas eu queria muito desenhar uma personagem brasileira para uma editora brasileira, se aparecer oportunidade.”
Os fãs de quadrinho brasileiros, claro, torcem para que o desejo dessa artista incrível se torne realidade.




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